O DISCURSO MUDOU OU O PREÇO SUBIU? AS CONTRADIÇÕES DE LULA SOBRE OS COMBUSTÍVEIS

“Alguém aí ganha em dólar?”. Essa frase, que virou o mantra de Lula na campanha de 2022 para criticar a gestão de Jair Bolsonaro, hoje soa como um eco incômodo nos postos de combustíveis. Naquela época, o então candidato prometia “abrasileirar” os preços e acabar com a submissão ao mercado internacional. Mas, em março de 2026, com o barril de petróleo pressionado pela guerra no Oriente Médio, a realidade parece ter atropelado o roteiro.

O Estilingue de 2022

Durante o governo Bolsonaro, Lula era categórico: dizia que a paridade internacional (PPI) era uma “bobagem” e que a alta da gasolina era fruto de “incompetência e submissão”. Ele defendia que, por sermos autossuficientes em extração, o custo deveria ser puramente em real.

A Vidraça de 2026

Agora, sentado na cadeira da presidência, o discurso mudou de tom. Com o diesel e a gasolina em alta devido aos conflitos no Irã e o bloqueio de rotas marítimas, o presidente reconhece abertamente que “o preço deve subir em todos os países” e que o conflito impacta diretamente a nossa energia.

A ironia do destino: Para tentar segurar a inflação e a queda de popularidade (que já atinge 40% de desaprovação), o governo Lula recorreu à mesmíssima fórmula que tanto criticou em Bolsonaro:

  1. Zerar impostos federais: O governo acabou de assinar a MP 1.340/26 para zerar PIS/Cofins do diesel.
  2. Subsídios milionários: Criou uma subvenção para produtores e importadores, pagando com dinheiro público para “maquiar” o preço na bomba.
  3. Culpa nos Outros: Se antes a culpa era do presidente, hoje o governo aponta para o cenário global e para os lucros das petroleiras.

Promessa vs. Prática

O “abrasileiramento” prometido virou, na verdade, uma política de subsídios que custará cerca de R$ 30 bilhões aos cofres públicos, financiada por um novo imposto sobre a exportação de óleo bruto. Ou seja: o preço internacional continua mandando, a única diferença é quem paga a conta e, desta vez, é o Tesouro Nacional (o seu imposto).

A lição de 2026: É fácil prometer soluções mágicas quando se é oposição. No governo, a economia real não aceita ideologia e o dólar continua falando mais alto que qualquer discurso de palanque.

E você? Ainda lembra da promessa de “abrasileirar” os preços ou já se acostumou com a “fórmula Bolsonaro” sendo usada pelo atual governo?

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