No papel, o discurso é sempre sedutor: “proteger a indústria nacional”. Na prática, o que a Resolução 852 de 2026 entrega é um balde de água fria em quem tenta empreender, modernizar e digitalizar o Brasil. Ao elevar o imposto de importação de cerca de 1.000 produtos para até 25%, o governo Lula (PT) opta por um protecionismo que, historicamente, cobra uma conta cara da sociedade.
A Ilusão da Proteção
O Ministério da Fazenda justifica a medida alegando que as importações de bens de capital e informática cresceram 33,4% desde 2022. Ora, se o consumo de tecnologia importada subiu, é porque a indústria nacional — por diversos gargalos que o governo não resolve, como a burocracia e a carga tributária interna — não consegue competir em preço ou qualidade.
Taxar o que vem de fora não torna o produto brasileiro melhor; apenas torna o país inteiro mais caro e tecnologicamente defasado.
O “Imposto sobre a Modernização”
A lista de itens afetados parece um inventário do que o Brasil precisa para crescer:
- Saúde em xeque: Ressonâncias, tomógrafos e instrumentos odontológicos mais caros significam exames e tratamentos mais custosos para a população.
- Logística e Agro: Motores, compressores e drones (essenciais para o agro moderno) foram atingidos.
- Educação e Trabalho: Smartphones e laptops deixaram de ser luxo para se tornarem ferramentas de sobrevivência.
Um Tiro no Pé da Eficiência
Ao classificar a medida como “moderada e focalizada”, a equipe econômica ignora que máquinas e equipamentos de informática são o insumo da produção. Se uma fábrica precisa pagar 25% a mais para trocar seu centro de usinagem ou atualizar seus servidores, ela perde produtividade. No fim da linha, quem paga é você: seja no preço do produto na prateleira, seja na lentidão do desenvolvimento tecnológico nacional.
O Prazo da “Esmola”
O governo acena com a possibilidade de manter a alíquota zero até 31 de março para quem já tinha o benefício. Mas é uma solução paliativa de apenas 120 dias. É o Estado criando a dificuldade para vender a (curta) facilidade, mantendo o setor produtivo em constante insegurança jurídica e dependente de burocracias de Brasília.
Conclusão
O Brasil não se tornará uma potência tecnológica punindo quem importa inovação. O caminho para fortalecer a indústria passa por reduzir o Custo Brasil e reformar o sistema produtivo, e não por erguer muros alfandegários que nos isolam do resto do mundo. O resultado da Resolução 852 é previsível: inflação de custos e um país parado no tempo.
