Dizem que o Carnaval é a festa da democracia, mas para a Acadêmicos de Niterói, a apuração desta Quarta-Feira de Cinzas teve mais cara de “sentença condenatória”. A escola, que decidiu transformar a Sapucaí em um comício a céu aberto com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, descobriu que, no mundo dos jurados, nem só de pão e mortadela vive o homem.
O resultado? Um rebaixamento direto para a Série Ouro. Ou seja: o “aerotrem” da alegria descarrilou e vai ter que desfilar no acesso ano que vem.
A Nota Fiscal do Entusiasmo
A estratégia era ousada (para não dizer arriscada): colocar o presidente Lula como santo barroco e o ex-presidente Bolsonaro como um “palhaço enlatado” atrás das grades. A militância vibrou, a oposição judicializou, e o TSE — nas palavras poéticas da ministra Cármen Lúcia — avisou que o terreno era de “areia movediça”. Pois bem, a areia engoliu o desfile.
Enquanto a Viradouro deitava e rolava no asfalto com técnica e perfeição, a Acadêmicos de Niterói parecia mais preocupada com o Registro de Candidatura do que com o acabamento das alegorias. O resultado nos quesitos foi um verdadeiro “L” de… Ladeira abaixo:
- Fantasias: A pior pontuação. Pelo visto, o luxo ficou só na promessa da picanha.
- Enredo: Considerado o pior entre as 12 escolas. Nem o “operário do Brasil” conseguiu consertar essa estrutura.
- Alegorias e Adereços: Deixaram a desejar, provando que nem toda “esperança” brilha no escuro da Sapucaí.
O “Salvo-Conduto” que virou “Tchau-Querido”
A oposição, que tentou barrar o desfile no tapetão do TSE por propaganda antecipada, agora nem precisa mais de advogado. Os próprios jurados do Carnaval carioca fizeram o trabalho de oposição técnica. Entre o número “13” espalhado pelas alegorias e a visita do próprio homenageado à passarela para distribuir tchauzinhos, a escola esqueceu o básico: Carnaval se ganha com samba, não com santinho.
A tentativa do governo de capitalizar o desfile como um grande ode popular acabou virando um prato cheio para os memes. O “revés” é real: é a primeira vez que uma escola homenageia um presidente no cargo e acaba… convidada a se retirar do grupo principal.
Moral da história: Na avenida, o povo pode até cantar o refrão, mas quem dá a nota não aceita promessa de campanha. Para a Acadêmicos de Niterói, o “Brasil do Futuro” vai ter que esperar o desfile de sexta-feira na Série Ouro.
