O que era para ser uma apoteose política no Carnaval do Rio de Janeiro virou um exercício de cautela e “puxadinho” institucional. Após semanas de expectativa, o Palácio do Planalto deu uma ordem direta: ministros e políticos com mandato estão proibidos de subir no carro alegórico que homenageará o presidente Lula na Acadêmicos de Niterói.
A Estratégia do Recuo A decisão revela um Governo Federal que, embora tente demonstrar força popular, demonstra uma insegurança latente diante da Justiça Eleitoral. Mesmo com o TSE rejeitando pedidos de suspensão do desfile, o Planalto optou pelo “freio de arrumação”. A leitura é clara: o risco de transformar o Carnaval em um palanque de propaganda eleitoral antecipada é real e as consequências jurídicas poderiam ser amargas.
Camarote: O Novo Refúgio Enquanto a avenida fica restrita a “amigos sem cargo”, o primeiro escalão do governo se acomoda nos camarotes cedidos pela prefeitura de Eduardo Paes. É o retrato de uma política que prefere o conforto do ar-condicionado e dos convites selecionados pelo gabinete da primeira-dama, Janja, ao risco da exposição direta na Sapucaí.
Contradições no Samba É curioso observar que, enquanto o governo prega a “festa da democracia”, precisa esconder seus principais nomes para não atrair o olhar dos tribunais. Se a homenagem é legítima e orgânica, por que tanto medo da presença de ministros como Simone Tebet ou Alexandre Padilha no carro principal?
A presença de Janja como destaque, por não ocupar cargo eletivo, é a única “brecha” utilizada para garantir a marca da família presidencial na avenida. No restante, o que vemos é um governo que prefere se esconder nos bastidores de um camarote oficial, sob a batuta do cerimonial da Presidência, do que arcar com o ônus político de sua própria celebração.
O Carnaval passa, mas o receio de condenações por abuso de poder parece que vai desfilar durante todo o ano de 2026.
