Por: Allyson Barbosa
O jornalista Gustavo Negreiros trouxe à tona o que os bastidores já sussurravam: o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSD), está em plena operação “costura”.3 O plano é de uma simplicidade que chega a ser irônica: ele tentaria se viabilizar para o Governo do Estado, deixando o caminho livre para a governadora Fátima Bezerra (PT) disputar o Senado Federal.
No entanto, o que Carlos Eduardo chama de “estratégia”, o eleitor potiguar já começa a identificar como o desespero de um “ex-político em atividade” que se recusa a aceitar o fim de um ciclo.
A Síndrome da Carona
Carlos Eduardo parece ter se especializado em uma tática perigosa: a de tentar pegar carona em qualquer projeto que lhe garanta a sobrevivência. No passado, já foi aliado e inimigo do PT tantas vezes que o eleitor precisa de um manual para saber em que lado ele está na semana. Agora, ao tentar se reaproximar do petismo, ele ignora que o “alinhamento” que ele busca pode ser o seu abraço de afogado.
A Galeria de Fracassos Recentes
Para entender o presente de Carlos Eduardo, é preciso olhar para o rastro de derrotas que ele deixou pelo caminho:
- 2018: Tentou o Governo do Estado e foi derrotado por Fátima Bezerra (a mesma que agora ele tenta “ajudar”).
- 2022: Largou a prefeitura com a promessa de ser o Senador do povo, mas acabou amargando uma derrota dolorosa para Rogério Marinho.
- 2024: Viu seu favoritismo inicial na disputa pela Prefeitura de Natal derreter como gelo ao sol, terminando a eleição menor do que entrou e sem o comando da capital que um dia foi seu reduto.
O “Ex-Político” que Insiste em Operar
O grande problema de Carlos Eduardo é não perceber que o Rio Grande do Norte mudou. O tempo dos grandes caciques que decidiam eleições em gabinetes fechados está sendo atropelado pela nova dinâmica das redes e das operações policiais que limpam o cenário. Insistir nesse jogo de “eu governo e você vai para o Senado” soa como um arranjo de velhas raposas em um estado que clama por renovação e seriedade.
Conclusão
Carlos Eduardo Alves tenta, mais uma vez, forçar uma entrada em um palanque que já não parece ter espaço para ele. Ao se oferecer como alternativa para o PT, ele confirma sua imagem de político errante, que troca de discurso conforme a conveniência do cargo em disputa.
O “desenho” pode até ser simples no papel de Carlos Eduardo, mas o eleitor, que já lhe deu sucessivos recados nas urnas, pode apagar esse esboço antes mesmo da primeira convenção de 2026. A política do RN não é mais um táxi onde se pega carona para qualquer destino; é preciso ter grupo, coerência e, acima de tudo, votos — coisas que Carlos Eduardo tem tido dificuldade em segurar.
