1. O “Cessar-Fogo” com o Bolsonarismo Raiz
O principal motivo imediato para a declaração de Tarcísio foi estancar a sangria de sua imagem junto à base mais fiel de Jair Bolsonaro.
- O Gatilho: O comentário da primeira-dama Cristiane Freitas (chamando-o de “novo CEO”) e a curtida do governador foram vistos como uma traição ou “balão de ensaio” para atropelar Flávio.
- A Estratégia: Ao dizer “meu nome é o Flávio”, Tarcísio desarma os ataques da ala ideológica e reafirma sua lealdade “inegociável” ao padrinho político. Ele entende que, sem a “benção” oficial de Bolsonaro, qualquer candidatura sua nasceria morta pela divisão da direita.
2. A Discrepância entre Pesquisas e Viabilidade
As pesquisas recentes (Quaest, janeiro/2026) apresentam um cenário ambíguo que justifica o comportamento de Tarcísio:
- Flávio como Nome de Oposição: O senador se consolidou como o principal herdeiro dos votos do pai no primeiro turno (chegando a 32% em cenários específicos).
- Tarcísio como Nome de Vitória: No segundo turno, Tarcísio é o único que aparece “encostado” em Lula (44% a 39%), enquanto Flávio tem uma rejeição maior e uma distância maior do petista.
- A Jogada: Tarcísio entrega o protagonismo agora para evitar o desgaste. Se Flávio não decolar nas pesquisas de rejeição ou se a centro-direita (Centrão) barrar o nome do senador, Tarcísio poderá ser “convocado” como a única salvação para vencer o PT, sem precisar ter brigado com a família Bolsonaro.
3. O Mercado Financeiro e o “Preço” da Candidatura
Enquanto Tarcísio foca em gestão, Flávio Bolsonaro tem feito movimentos para se aproximar do mercado e do STF, tentando suavizar sua imagem.
- A “Anistia” como Pauta: Flávio já sinalizou que sua candidatura tem um “preço”: a liberdade e a volta da elegibilidade do pai (atualmente em regime prisional na Papudinha).
- O Dilema de Tarcísio: O governador de SP é o favorito do mercado, mas o mercado teme a instabilidade de um “tudo ou nada” da família Bolsonaro. Ao apoiar Flávio, Tarcísio sinaliza que não causará uma ruptura na direita, o que mantém a estabilidade política em seu estado.
4. O Cenário para 2026: O “Plano A” é mesmo Flávio?
A análise de bastidores indica que o apoio de Tarcísio é tático, não definitivo.
- Reeleição em SP: Tarcísio ganha o palanque de Bolsonaro para se reeleger governador em São Paulo (seu plano oficial). Se eleito, ele se torna o nome natural para 2030 ou uma peça de reposição imediata para 2026 caso a candidatura de Flávio se torne inviável juridicamente ou politicamente.
- Unidade da Direita: O maior medo da oposição é chegar em 2026 com múltiplos candidatos (Tarcísio, Zema, Caiado, Flávio). O gesto de Tarcísio força os outros governadores a também prestarem contas ao bolsonarismo, mantendo a hegemonia do PL sob o comando de Valdemar Costa Neto.
