O cenário político no Rio Grande do Norte ganhou novos contornos dramáticos nesta sexta-feira. O vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal, Cabo Deyvson (PL), foi intimado por um oficial de Justiça enquanto estava internado em uma unidade hospitalar. A ação judicial em questão pede a cassação do seu mandato parlamentar, sob a alegação de infidelidade partidária devido à sua recente mudança de legenda.
O momento da entrega do documento foi registrado pelo próprio parlamentar em vídeo. Na gravação, Cabo Deyvson adotou uma postura firme, argumentando que o processo não passa de uma manobra com motivações puramente políticas para tentar barrar sua caminhada rumo à Câmara Federal e neutralizar sua voz no legislativo.
O Contraste entre a Violência e a Burocracia
A declaração do vereador ganhou ainda mais repercussão ao trazer de volta um episódio recente que chocou a região: o atentado sofrido por ele em Mossoró. Na ocasião, o parlamentar foi baleado e seu assessor acabou perdendo a vida em um ataque atribuído por investigadores a uma facção criminosa.
Ao traçar um paralelo entre os dois momentos, o parlamentar estabeleceu uma linha narrativa direta de enfrentamento:
“Os grupos terroristas tentaram nos calar na rua, tentando contra a nossa vida. Agora o sistema dos poderosos tenta nos calar através do papel e da caneta.”
De um lado, a defesa do vereador foca na tese de perseguição e tentativa de silenciamento institucionalizada. Do outro lado, o processo segue os ritos previstos pela legislação eleitoral brasileira sobre a fidelidade partidária e a titularidade dos mandatos.
O desfecho dessa ação judicial promete movimentar os bastidores da política potiguar e nacional, colocando em evidência os limites da troca de partidos e a segurança de parlamentares em regiões sob influência da criminalidade. Cabe agora à Justiça Eleitoral analisar os argumentos e determinar se houve justificativa válida para a migração partidária ou se o mandato deve ser cassado.
