Por: Allyson Barbosa
O Caso Banco Master não é apenas uma investigação sobre números; é um estudo sobre como o poder é acessado no Brasil. O banqueiro Daniel Vorcaro, que até pouco tempo era um nome restrito ao mercado imobiliário e ao círculo da Igreja Lagoinha, construiu em tempo recorde uma rede que alcança o STF, o Planalto e os principais governos estaduais.
O Judiciário: Contratos Milionários e “Conselhos”
O que chama atenção não são apenas os nomes, mas os valores envolvidos para garantir “acesso”.
- Ricardo Lewandowski: Antes de assumir o Ministério da Justiça, o escritório de sua família recebia um pagamento mensal de R$ 250 mil. A indicação teria vindo de Jaques Wagner e Augusto Lima (o Guga Lima), braço direito do banco na Bahia.
- Alexandre de Moraes: O foco recai sobre um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O detalhe que acende o alerta: o contrato não possui um escopo definido.
- Dias Toffoli: Atua como relator de inquéritos que “abraçaram” o caso, mantendo a relatoria firme enquanto recebe apoio público de ministros como Gilmar Mendes e Luiz Fux.
O Executivo e o Legislativo: Portas Abertas no Planalto
Vorcaro não apenas circulava nos tribunais; ele chegou à mesa do Presidente.
- No Planalto: O banqueiro foi levado por Rui Costa a uma reunião com o presidente Lula em dezembro passado, onde foi se queixar do sistema financeiro.
- No Congresso: O senador Ciro Nogueira tentou mudar as regras do jogo, propondo aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que beneficiaria diretamente os investidores do Master.
- Nos Estados: O governador Cláudio Castro (RJ) viu o presidente da Rio Previdência renunciar após virar alvo da PF. Já Ibaneis Rocha (DF) é citado como elo principal na tentativa de venda do banco ao BRB.
A “Matemática” da Bahia e os Consignados
A Bahia foi o grande laboratório de Vorcaro. Através de Augusto Lima (Guga Lima), o banco infiltrou-se no mercado de crédito consignado em prefeituras, com comissões generosas: falava-se em R$ 1 milhão a cada 5 mil contratos fechados. Além disso, o banco colocou mais de R$ 1 bilhão em títulos do Master dentro de fundos de pensão de servidores públicos.
Por que ninguém viu chegar?
Muitos questionam o papel do Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto, que liberou as operações do banco sob o discurso de “estimular a concorrência”. No mercado, o alerta já existia: os CDBs do Master pagavam até 150% do CDI, uma taxa que indicava risco altíssimo e que foi detalhada pela revista Piauí ainda no ano passado.
