O ÚLTIMO ATO: POR QUE 2026 PODE MARCAR O FIM DA ERA LULA E O ECLIPSE DA ESQUERDA

O ÚLTIMO ATO: POR QUE 2026 PODE MARCAR O FIM DA ERA LULA E O ECLIPSE DA ESQUERDA

Por: Allyson Barbosa

O calendário não perdoa, e a política muito menos. Enquanto os bastidores de Brasília fervem com as articulações para o pleito deste ano, uma verdade incômoda paira sobre a esquerda brasileira: 2026 tem tudo para ser a última eleição em que o campo progressista ostenta o protagonismo que conhecemos nas últimas décadas.

O motivo é matemático e biológico: a dependência absoluta de um único nome.

O Gigante de Pés de Barro Luiz Inácio Lula da Silva chegará ao dia da eleição com 80 anos. Embora sua resiliência política seja inegável, a idade avançada traz consigo o peso natural do tempo e a urgência de uma sucessão que, até agora, não passou de ensaios frustrados. A prova maior dessa falta de planejamento sucessório foi o cenário de 2022: a esquerda não teve alternativa senão buscar Lula onde ele estava para enfrentar o fenômeno Bolsonaro. Sem o “velho capitão” do PT, o campo estaria órfão de uma liderança capaz de unificar as massas.

O Vazio no Banco de Reservas O grande erro estratégico da esquerda nos últimos anos foi não preparar um herdeiro. Nomes como Fernando Haddad, Camilo Santana e Rui Costa são quadros técnicos qualificados, mas carecem do carisma orgânico que conecta Lula ao povo. Enquanto isso, a direita se pulveriza em novas lideranças — de governadores a influenciadores — que dominam a linguagem digital e a pauta de costumes, atraindo uma fatia cada vez maior dos jovens e dos evangélicos.

A Eleição da Sobrevivência 2026 não será apenas uma disputa por cargos; será um teste de sobrevivência. Se Lula vencer, terá o desafio hercúleo de governar em um país polarizado e com o Congresso à direita. Se perder, a esquerda poderá enfrentar um deserto de lideranças sem precedentes, vendo sua força se esvair junto com a biografia de seu maior líder.

A realidade é nua e crua: o PT e seus aliados estão jogando todas as fichas em um único jogador. E quando o apito final de Lula tocar, quem restará para segurar a bandeira?

O cenário sugere que estamos assistindo ao último grande espetáculo de uma era. O que vem depois disso pode ser o silêncio — ou uma reinvenção que a esquerda, até agora, mostrou-se incapaz de planejar.

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