Até onde vai a conivência sob o pretexto da institucionalidade? Nesta segunda-feira (9), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, não apenas rompeu o silêncio, mas colocou o dedo em uma ferida que muitos insistem em ignorar.
Ao criticar a ausência de manifestações da OAB, de associações de magistrados e de centros acadêmicos sobre as recentes revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Zema trouxe à tona uma reflexão necessária: o silêncio institucional não é neutro. Ele é uma escolha.
As Entidades e a Mancha na Toga
Para o governador mineiro, o silêncio dessas entidades não protege a Justiça; pelo contrário, mancha a imagem da maioria dos magistrados que trabalham com ética e correção. Quando quem deveria fiscalizar se cala diante de excessos, a percepção pública de imparcialidade desmorona.
O Cobrança ao Palácio do Planalto
Zema não parou por aí. O alvo também foi o presidente Lula. A lógica aplicada pelo governador é simples e cortante:
“Quem está calado, na minha opinião, é porque está concordando.”
Em um país que clama por estabilidade e transparência, o silêncio do Governo Federal diante de fatos graves soa menos como cautela e mais como conveniência política. O Brasil não precisa de lados, precisa de posicionamentos claros.
O Que Está em Jogo?
Não se trata apenas de nomes, mas do precedente. Se as instituições que deveriam ser os pilares da democracia — como a OAB — se omitem, quem restará para defender o cidadão comum de interpretações elásticas da lei?
A fala de Zema ecoa o sentimento de uma parcela significativa da população que sente que a balança da justiça está pesando mais para um lado do que para o outro. No jogo do poder, o silêncio costuma ser o melhor amigo do autoritarismo.
