A política é feita de gestos, mas, às vezes, é o “não gesto” que muda todo o tabuleiro. Recentemente, a notícia de que o vice-governador Walter Alves decidiu não assumir o governo com a renúncia da governadora — e, mais do que isso, migrar para a oposição — pegou o Rio Grande do Norte de surpresa. Mas, para quem acompanha os detalhes técnicos e políticos, essa história tem camadas que precisam ser expostas.
O Acordo que Não Foi
O cenário desenhado em 2022, sob as bençãos do presidente Lula, era claro: Walter assumiria a gestão para que a governadora disputasse o Senado. Ele seria o sucessor natural. No início de 2025, o combinado mudou levemente: ele assumiria, mas não seria candidato. Foi nesse vácuo que meu nome surgiu como uma alternativa técnica para a disputa, missão que aceitei com a honra de quem serve ao público há 20 anos.
A Transição que Virou Ruptura
Diferente do que muitos pensam, o governo abriu as portas. Fizemos uma transição leal, entregando espaços estratégicos ao MDB:
- Desenvolvimento Econômico (Alan Silveira)
- Relacionamento Federativo (Luciano Santos)
- Presidência da CAERN (Sérgio Rodrigues)
O espaço foi dado, o diálogo foi mantido, mas, no apagar das luzes de 2025, veio a surpresa: Walter não apenas desistiu de assumir, como decidiu caminhar com o grupo de oposição.
A Desculpa Fiscal vs. A Realidade dos Números
O vice-governador justifica sua decisão com base na “situação fiscal” do Estado. Como secretário de Fazenda, preciso ser objetivo: os números são desafiadores? Sim. Mas são infinitamente melhores do que o cenário de terra arrasada que encontramos em 2019. Administramos crises piores e entregamos um estado viável.
A questão fiscal parece ser mais um biombo do que um motivo real. Afinal, até o presidente Lula o chamou em Brasília para entender essa movimentação.
Conclusão
Não chamo de ingratidão — cada político responde aos seus eleitores e ao seu partido. Mas a população merece saber que o projeto de continuidade foi interrompido por uma decisão pessoal e partidária, não por falta de condições técnicas ou de espaço político.
O Rio Grande do Norte não pode parar por causa de cálculos eleitorais. Seguimos com o foco no que importa: a gestão técnica e o equilíbrio das contas.
