O MILAGRE DOS POÇOS: COMO TRANSFORMAR A SECA EM MARKETING ELEITORAL

O MILAGRE DOS POÇOS: COMO TRANSFORMAR A SECA EM MARKETING ELEITORAL

Até quando o sofrimento do povo vai servir de cenário para vídeo de rede social? Em Serra Negra do Norte, a cena se repete como um disco furado: entra ano, sai ano, a seca castiga, o gado morre, a torneira seca e, magicamente, surgem os “salvadores da pátria” com suas soluções de conta-gotas.

A bola da vez é a propaganda em cima da perfuração de poços. O vereador Eraldo Alves (PT) foi às redes comemorar a entrega de um poço no bairro da Liberdade, anunciando que, graças à parceria do Prefeito Acácio com o Governo do Estado, sete poços serão perfurados.

Vamos falar a verdade nua e crua? Isso não é solução, é paliativo com cheiro de politicagem.

O Palanque sobre a Sede

É vergonhoso ver que um problema estrutural e histórico como a falta d’água ainda seja usado como moeda de troca política. Sete poços? Para uma região que sofre há décadas? Isso é o mínimo do mínimo, uma obrigação básica de qualquer gestão, e não um troféu para ser exibido com trilha sonora heróica no Instagram.

  • Ações Paliativas: O político adora o paliativo porque ele mantém o povo dependente. O poço resolve o hoje, mas não garante o amanhã de uma região que precisa de projetos hídricos definitivos.
  • O Marketing da Miséria: Enquanto o cidadão racha o pé no chão seco e reza por chuva, o governante sorri para a câmera segurando um papel de convênio.
  • A Falta de Combate Real: Por que nunca se fala em soluções que acabem de vez com o fantasma da seca? Porque a sede dá voto. O combate definitivo tira o palanque dos oportunistas.

A População Canasada de Promessas

O que vemos em Serra Negra do Norte é a perpetuação da “Indústria da Seca”. O Governo do Estado e a Prefeitura se abraçam em convenções, trocam elogios e entregam migalhas, enquanto o povo continua refém da boa vontade climática e da burocracia estatal.

É preciso parar de aplaudir o básico. Poço artesiano é importante? Sim. Mas usá-lo como propaganda política enquanto a solução definitiva nunca chega é uma falta de respeito com a dignidade do sertanejo.

O povo da Liberdade e de toda Serra Negra não quer “padrinhos” de poços; quer o direito humano de ter água sem precisar agradecer a político por isso. A seca é um fenômeno da natureza, mas a exploração política dela é uma escolha de quem está no poder.

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