O MAPA DA SEDE: POR QUE O RN LIDERA A EMERGÊNCIA NO NORDESTE?

O MAPA DA SEDE: POR QUE O RN LIDERA A EMERGÊNCIA NO NORDESTE?

Por: Allyson Barbosa

Enquanto os gabinetes de Brasília e as redes sociais se perdem em brigas de narrativas, o Rio Grande do Norte acaba de atingir um topo que ninguém gostaria de ocupar. O nosso estado é hoje o líder absoluto em emergência por seca no Nordeste.

Os dados não mentem: 131 dos nossos 167 municípios estão em situação crítica. Isso significa que quase 80% do RN está oficialmente sob o castigo do sol e da falta de planejamento. No ranking nacional, só perdemos para Minas Gerais. Mas a pergunta que não quer calar é: por que estamos pior que os nossos vizinhos?

O Vizinho Verde e o Nosso Deserto

Ceará e Paraíba também sofrem com a falta de chuvas, mas por que o impacto lá parece ser contido enquanto aqui a sede transborda? A resposta está em uma palavra que falta no dicionário do governo estadual: infraestrutura.

O RN parou no tempo. Enquanto estados vizinhos avançaram em canais, adutoras e na gestão eficiente das águas da Transposição do São Francisco, nós ficamos presos a promessas que não saem do papel. O resultado? Dependemos de uma frota de carros-pipa que hoje atende mais de 88 mil potiguares. Viver de caminhão-pipa em 2026 não é fatalidade, é atestado de incompetência administrativa.

Reservatórios na UTI

A situação dos nossos açudes é desesperadora. A reserva hídrica do estado patina em torno de 36%. No Seridó, o cenário é de terra arrasada. O Açude Itans, em Caicó, que já foi o orgulho da região, é hoje um cemitério de lama com 0% de volume.

Sem água, a economia do interior sangra:

  • Agricultura: Perdas que chegam a 90% nas safras de subsistência.
  • Pecuária: O gado está sendo vendido a preço de banana antes que morra de sede.
  • Comércio: Sem produção no campo, o dinheiro não circula na cidade.

O grito de socorro que Brasília não ouve

Liderar a emergência no Nordeste deveria ser motivo de comitiva ministerial e ações de guerra no Palácio do Planalto e no Centro Administrativo em Natal. Mas o que vemos é um silêncio ensurdecedor. O “Mapa da Sede” é um documento de denúncia contra anos de descaso.

O potiguar é forte e conhece a seca, mas não pode ser condenado a reviver o século passado por falta de canetas que funcionem no presente. A sede não espera o calendário eleitoral de 2026. Ela dói agora.

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