Por: Allyson Barbosa
Por muito tempo, o Partido dos Trabalhadores (PT) encheu a boca para falar em “golpe” e defesa da democracia. Mas, como diz o ditado, “na prática, a teoria é outra”. O que os bastidores da política potiguar revelam agora é uma manobra agressiva da cúpula petista para enquadrar o vice-governador Walter Alves (MDB) e garantir a sobrevivência política do grupo de Fátima Bezerra a qualquer custo.
O “Efeito Rafael Motta” se repete?
A estratégia não é nova. Em 2024, vimos o PT sufocar a candidatura de Rafael Motta (PSB) à Prefeitura de Natal, pressionando o partido nacionalmente para forçá-lo a desistir e apoiar Natália Bonavides. Agora, o alvo é maior: Walter Alves. O roteiro é o mesmo: usar a força de Brasília para decidir o destino do Rio Grande do Norte, ignorando as lideranças locais.
A encruzilhada de Walter Alves
O estopim da crise foi o anúncio de Walter à governadora Fátima Bezerra: ele não pretende assumir o governo quando ela renunciar para disputar o Senado. A partir daí, o “fogo amigo” virou guerra aberta.
A cúpula do PT potiguar passou a pressionar o MDB nacional para retirar Walter Alves da presidência do partido no RN. O objetivo é claro e cruel:
- A Blindagem: Se Walter assumir o governo, ele se torna o “escudo” das contas da gestão Fátima, protegendo a governadora de exposições negativas durante a campanha ao Senado.
- O Sufocamento: Se ele se recusar a ser o “vice dos sonhos” ou o governador tampão, o plano é deixá-lo sem legenda. Sem o controle do MDB, Walter ficaria impossibilitado de ser candidato a deputado estadual ou sequer montar uma nominata competitiva.
O Medo da Exposição
Por que o PT está tão desesperado? A resposta está na fragilidade das contas do Estado. O partido teme que, se Walter não assumir o compromisso de blindagem, a realidade financeira do Rio Grande do Norte seja exposta sem filtros, minando as chances eleitorais da governadora.
O PT, que tanto critica o autoritarismo, hoje tenta dar um golpe de mestre no seu principal aliado. Walter Alves está sendo colocado contra a parede: ou aceita ser o guarda-costas político de Fátima, ou verá seu capital político ser triturado por Brasília.
A pergunta que fica para o eleitor é: até quando o Rio Grande do Norte será refém das conveniências de um partido que prega a democracia, mas pratica a política do “rolo compressor”?
