O “CLUBE DOS MUDOS”: POR QUE ELES FOGEM DA CPI DO BANCO MASTER?

O “CLUBE DOS MUDOS”: POR QUE ELES FOGEM DA CPI DO BANCO MASTER?

Por Allyson Barbosa

Na política, o silêncio costuma ser uma mercadoria valiosa. E quando o assunto é o Banco Master, o Senado Federal parece ter se transformado em um monastério. Enquanto as denúncias de manobras financeiras bilionárias e conexões perigosas ganham as manchetes, uma lista extensa de senadores se recusa a colocar a digital na CPI que pretende passar o país a limpo.

O que impede esses parlamentares de investigar? Seria o medo de que o fio da meada chegue a gabinetes poderosos? Ou o receio de que o sistema de influências sofra um curto-circuito?

O Mapa da Blindagem: Quem não assinou?

Confira a lista completa, separada por partido, dos senadores que preferiram não “incomodar” o banco:

  • PT (8): Randolfe Rodrigues (AP), Jaques Wagner (BA), Augusta Brito (CE), Beto Faro (PA), Humberto Costa (PE), Teresa Leitão (PE), Rogério Carvalho (SE), Paulo Paim (RS).
  • MDB (7): Fernando Farias (AL), Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Veneziano Vital do Rêgo (PB), Marcelo Castro (PI), Confúcio Moura (RO), Giordano (SP).
  • PSD (4): Omar Aziz (AM), Otto Alencar (BA), Jussara Lima (PI), Zenaide Maia (RN).
  • PSB (4): Cid Gomes (CE), Jorge Kajuru (GO), Ana Paula Lobato (MA), Chico Rodrigues (RR).
  • PP (3): Daniella Ribeiro (PB), Ciro Nogueira (PI), Laércio Oliveira (SE).
  • PL (2): Dra. Eudócia (AL), Bruno Bonetti (RJ).
  • União Brasil (2): Davi Alcolumbre (AP), Professora Dorinha Seabra (TO).
  • Outros partidos: Sérgio Petecão (PSD/AC), Angelo Coronel (PSD/BA), Vanderlan Cardoso (PSD/GO), Eliziane Gama (PSD/MA), Irajá (PSD/TO)*, Weverton Rocha (PDT/MA), Soraya Thronicke (Podemos/MS).

(Nota: O PSD concentra o maior número de ausências individuais fora das bancadas fechadas).

Por que o medo da CPI?

O Banco Master não é um alvo qualquer. As investigações sugerem um “ecossistema” de influências que envolvem desde a movimentação de títulos até relações de proximidade com figuras de tribunais superiores.

Para muitos desses senadores, assinar a CPI não é apenas um ato de fiscalização, é declarar guerra a um sistema que mistura interesses bancários e a cúpula do poder em Brasília. Entre o dever de fiscalizar e o conforto de não se indispor, os nomes acima escolheram o silêncio.

Como diz o ditado: quem cala, consente. E quem não assina, está protegendo quem?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao Topo