A disputa presidencial de 2026 escancarou um racha histórico e sem precedentes dentro do MDB. Enquanto a maioria dos diretórios nordestinos declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o diretório do MDB do Rio Grande do Norte, liderado pelo vice-governador Walter Alves, integrou o grupo de 17 diretórios estaduais que oficializaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
A decisão coloca o partido potiguar, ao lado de Sergipe, como as duas únicas representações nordestinas da legenda que não se alinharam ao movimento pró-Lula na região.
O cenário nacional e a divisão partidária:
- Alinhamento duplo: O MDB nacional vive uma divisão profunda, dividindo-se entre 17 diretórios favoráveis a Flávio Bolsonaro e dez que optaram por apoiar Lula.
- Nota conjunta do Norte e Nordeste: Nesta terça-feira (13), dez diretórios das regiões Norte e Nordeste — incluindo Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia — divulgaram um manifesto conjunto convocando militantes, prefeitos e parlamentares para atos públicos, carreatas e mobilizações em defesa da campanha petista, exaltando programas sociais como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Pé-de-Meia.
Revolta de Henrique Eduardo Alves no RN: A guinada do MDB potiguar gerou forte repercussão interna e revolta em figuras históricas da legenda no estado. O ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves, com 52 anos de filiação partidária, foi às redes sociais cobrar uma intervenção do presidente nacional do partido, Baleia Rossi, e questionar duramente a ausência do RN no bloco governista.
- “Cadê o nosso RN??? Urgente! MDB apoia Lula, amigos do Partido! Eu e Gari assumimos!”, publicou Henrique na rede social X.
- O ex-deputado lembrou ainda o histórico recente de aliança sólida entre o MDB e o PT no estado, destacando que em 2022 a própria chapa da governadora Fátima Bezerra (PT) teve Walter Alves como vice a pedido expresso do presidente Lula.
Com o diretório estadual marchando em campo oposto ao da maioria de suas bases tradicionais no Nordeste, o MDB chega à reta final do segundo turno completamente dividido e com o tabuleiro político em ebulição no Rio Grande do Norte.
