A política é, acima de tudo, a arte de ler os sinais. E, para a governadora Fátima Bezerra, os sinais vindos das ruas do Rio Grande do Norte não são nada animadores. O que antes era um plano traçado com confiança deixar o governo para buscar uma cadeira no Senado em 2026 transformou-se em um verdadeiro “xeque-mante” administrativo e político.
A Escolha do “Menos Pior”
Nos bastidores do Centro Administrativo, o clima não é de festa. A governadora enfrenta agora o dilema de escolher a opção menos prejudicial à sua biografia. De um lado, o desejo de ser senadora; do outro, a amarga constatação de que o PT não possui, hoje, força política na Assembleia Legislativa para garantir um sucessor de confiança em um mandato tampão.
Sem os votos necessários para controlar a transição, sair do governo seria entregar as chaves da casa sem saber quem vai abrir a porta.
Gestão em Xeque e Planos Frustrados
Não há como dourar a pílula: a má gestão e os baixos índices de aprovação são os grandes vilões dessa história. O Rio Grande do Norte padece com problemas crônicos na saúde, segurança e infraestrutura, e essa fatura chegou mais cedo do que o PT esperava. A desidratação da imagem da governadora inviabilizou a engenharia política que parecia perfeita no papel.
As Peças se Movem no Tabuleiro
Os rumores que ecoam nos corredores da política potiguar já desenham um novo cenário:
- Fátima Fica: A tendência atual é que ela permaneça na cadeira até o último dia, tentando evitar um desastre maior para o partido.
- Natália no Congresso: A deputada federal Natália Bonavides, antes cotada para voos diferentes, deve seguir focada na sua reeleição para a Câmara Federal.
- Samanda Alves como Plano B: O nome da vereadora natalense Samanda Alves começa a ser ventilado como uma alternativa do PT para a disputa majoritária, caso Fátima realmente desista do Senado para salvar o que resta do governo.
O Custo da Ineficiência
O PT potiguar paga hoje o preço de ter focado mais na narrativa política do que na entrega de resultados práticos para o cidadão. Quando o governo não funciona, o partido encolhe. Fátima agora governa não para fazer história, mas para tentar conter danos.
Resta saber se o eleitor, em 2026, aceitará essas manobras de última hora ou se o ciclo do PT no RN está, de fato, chegando ao esgotamento por falta de entrega.
