Na política, a gratidão costuma ter prazo de validade, e o “prazo” do ministro Dias Toffoli parece ter expirado no Palácio do Planalto. O que vimos nesta quinta-feira (12) foi uma movimentação coordenada: assessores palacianos ocuparam a tarde abordando jornalistas com uma mensagem clara: para Lula, a permanência de Toffoli na relatoria do caso Banco Master — e até sua cadeira no STF — tornou-se “inviável”.
A Estratégia por Trás da Queda
Não se engane com o discurso de “moralidade” sobre as relações comerciais de Toffoli. O que está na mesa é um tabuleiro de xadrez político. Lula viu no desgaste do ministro a oportunidade de ouro para resolver dois problemas de uma vez:
- A “Vaga da Paz” com Alcolumbre: O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vem travando a indicação de Jorge Messias (AGU) para a vaga de Barroso. Ao “entregar” Toffoli, Lula abre uma nova vaga para indicar Rodrigo Pacheco, o nome dos sonhos de Alcolumbre.
- O Acerto de Contas: Lula tem memória longa. Ele não esquece as decisões de Toffoli no Mensalão e no Petrolão, e guarda uma mágoa profunda do episódio em que o ministro lhe negou o direito de ir ao enterro do próprio irmão enquanto estava preso em Curitiba.
O Impeachment Inédito
Informações que circulam nos bastidores apontam que Lula teria dado “sinal verde” para que Alcolumbre avance com um processo de impeachment inédito contra Toffoli. Em troca da cabeça do ministro, o governo espera destravar suas indicações e pacificar de vez o Senado.
O Fim de uma Era?
Se essa articulação prosperar, assistiremos a um evento histórico: a queda de um ministro do STF por conveniência política do próprio presidente que o indicou. É a prova de que, para manter o poder e agradar o Centrão, ninguém é insubstituível.
O “companheiro” de ontem pode ser o obstáculo de hoje. E no governo Lula, obstáculos são removidos sem hesitação.
Você acredita que Toffoli cairá para dar lugar aos interesses do Centrão? O STF virou moeda de troca? Deixe sua opinião nos comentários!
