Por Allyson Barbosa
Você se lembra do escândalo dos respiradores que nunca chegaram, mas foram pagos com o seu dinheiro no auge da pandemia? Pois bem, o caso acaba de ganhar um novo capítulo que promete tirar o sono de muita gente grande em Brasília. O ministro Og Fernandes, do STJ, deu o sinal verde: a Polícia Federal tem 90 dias para retomar com força total o inquérito que envolve o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Estamos falando de R$ 48 milhões de dinheiro público que “evaporaram” em um contrato com uma empresa sem qualquer capacidade técnica. E o detalhe que revolta: o pagamento foi autorizado de forma antecipada.
O Jogo de Empurra Jurídico
O processo parece ter percorrido uma maratona para não chegar a lugar nenhum. Passou pelo STJ, foi para o STF com o ministro Flávio Dino e, após meses de lentidão, finalmente voltou para as mãos da Polícia Federal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) é clara: existem indícios de crimes. Na época, Rui Costa não era apenas o governador da Bahia, mas o presidente do Consórcio Nordeste. Foi ele quem assinou o contrato que previa o pagamento integral adiantado, sem qualquer garantia para o estado. Resultado? O dinheiro saiu, os respiradores nunca foram entregues e o povo ficou na mão no momento em que mais precisava de oxigênio.
“Desejo que os criminosos respondam”, diz Rui Costa
Procurado, o ministro Rui Costa manteve a postura de quem não teme a investigação, afirmando que deseja que os culpados paguem. O problema é que a própria PGR aponta a “possível atuação” do ministro no esquema.
É irônico, não é? O homem que hoje ocupa a cadeira mais importante da Casa Civil, gerindo os rumos do Brasil, está sob a lupa da PF por uma gestão que, no mínimo, foi desastrosa com o dinheiro da saúde.
O que a PF vai buscar agora?
Com o prazo de 90 dias, a Polícia Federal vai focar em:
- Faturamento Fantasma: Como se paga R$ 48 milhões por algo que não existe?
- Agentes Públicos envolvidos: Quem deu a ordem final para o dinheiro sair do cofre?
- Conexões em Brasília: As ramificações políticas que permitiram que um erro desse tamanho fosse cometido sem consequências imediatas.
O Consórcio Nordeste, que nasceu com a promessa de união e eficiência, acabou se tornando o símbolo de um dos maiores desperdícios de recursos da história recente da nossa região.
