Por: Allyson Barbosa
O que parecia um problema isolado está se tornando uma “moda” preocupante no Seridó. Após as denúncias sobre a situação em Serra Negra do Norte, agora é o município de São João do Sabugi que entra no mapa da crise. O roteiro é idêntico: torneiras secas, população carregando baldes e a prefeitura instalando caixas d’água e chafarizes como solução paliativa.
A pergunta que fica no ar é: estamos presenciando o retorno da velha “Indústria da Seca”, onde soluções provisórias substituem investimentos definitivos?
O Ataque à CAERN e o Grito de Socorro
O prefeito de São João do Sabugi não poupou críticas à Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), atribuindo à estatal a responsabilidade exclusiva pelo desabastecimento que já dura mais de um mês. Em um tom de desabafo e cobrança, o gestor municipal expôs a gravidade da situação.
Confira a declaração do prefeito, adaptada para este blog:
“Nossa população sofre com a falta de água desde o dia 18 de dezembro, fruto do total abandono de quem tem a obrigação legal de garantir esse direito básico. Não ficamos parados: tentamos o diálogo exaustivo e batemos às portas da Justiça após esgotarmos todas as vias administrativas. Diante do descaso, decidimos agir com recursos próprios da prefeitura, implantando e abastecendo chafarizes por toda a cidade para garantir que o nosso povo não fique desamparado.”
Solução ou “Puxadinho” Eleitoral?
Embora a instalação de caixas d’água resolva o problema imediato da sede, ela expõe a fragilidade da infraestrutura hídrica do nosso estado. É louvável que a prefeitura não cruze os braços, mas é preciso questionar por que, em pleno 2026, a solução para o sertanejo ainda é o chafariz e o balde na cabeça.
A transferência de responsabilidade entre prefeituras e o Governo do Estado (via CAERN) deixa o cidadão no meio de um fogo cruzado político, enquanto o direito essencial à água tratada na torneira continua sendo uma promessa distante.
O @blogpoder084 continuará acompanhando essa “epidemia” de caixas d’água que se espalha pelo interior. Afinal, o povo quer soluções estruturantes, não apenas medidas de emergência que perpetuam a imagem da seca como ferramenta política.
