Por: Allyson Barbosa
Voltamos a um tema que parece não ter fim, mas que agora ganha contornos de um verdadeiro absurdo. Após denunciarmos a seca que castiga as residências de Serra Negra do Norte, novos fatos revelam que o problema pode não ser apenas a falta de chuva, mas sim a falta de gestão e de fiscalização.
Enquanto o cidadão comum abre a torneira e só ouve o barulho do vácuo, a realidade a poucos metros das caixas d’água instaladas para o socorro da população é revoltante.
O Contraste da Injustiça
O cenário é de um desequilíbrio gritante. De um lado, famílias carregando tonéis para garantir o mínimo para a sobrevivência. Do outro, o movimento frenético de caminhões-pipa que parecem não conhecer o racionamento. Mais grave ainda é o que acontece na passagem do Açude de Cacimbas e no Rio Espinharas: a poucos passos do sofrimento humano, a água está sendo desviada para a irrigação de plantios.
Como explicar para uma mãe de família que não há água para beber, enquanto o agro local ou interesses privados utilizam o recurso de forma farta e visível aos olhos de todos?
Onde está a fiscalização?
A justificativa de que a barragem que abastece a cidade estaria “morta” não se sustenta. Moradores e técnicos afirmam que o reservatório não está totalmente seco. Se há água na fonte, por que ela não chega ao destino final? Por que o ciclo de abastecimento privilegia o lucro e o plantio em detrimento do consumo humano, contrariando a legislação que prioriza o abastecimento público?
Um chamado ao Ministério Público
Diante desse descaso, não resta outra alternativa senão a intervenção da justiça. É urgente que o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) verifique o que está acontecendo em Serra Negra do Norte.
- É preciso auditar o volume real da barragem.
- É necessário fiscalizar os desvios e bombas instaladas no Rio Espinharas.
- É fundamental saber quem está lucrando com a indústria da sede enquanto a população sofre.
Água é um direito básico, não uma mercadoria de luxo para quem pode pagar mais ou desviar primeiro. Serra Negra do Norte exige respostas e, acima de tudo, dignidade nas torneiras.
