Em pronunciamentos recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a adotar uma velha tática política: o uso de narrativas triunfalistas que colidem frontalmente com a realidade do cidadão comum. Ao afirmar categoricamente que seu governo “acabou com a fome”, reduziu o desemprego de forma sustentável e estabilizou a economia, o chefe do Executivo distorce dados econômicos e mascara a crise estrutural que o país atravessa.
A começar pela alegação de que a fome foi erradicada. Decretar o fim da insegurança alimentar enquanto milhões de brasileiros ainda dependem de auxílios emergenciais insuficientes para comprar a cesta básica é uma falácia. A realidade visível nos grandes centros urbanos e nas periferias desmente o otimismo de palanque: o poder de compra despencou e a inflação dos alimentos continua corroendo o orçamento das famílias mais vulneráveis. O que existe é uma maquiagem estatística que esconde a pobreza estrutural sob o manto de programas assistencialistas.
No campo econômico, a comemoração do governo sobre a queda do desemprego e o aumento da massa salarial ignora a precarização do mercado de trabalho. O que os números oficiais celebram como “vagas criadas” é, na verdade, a explosão do trabalho informal e do subemprego. O cidadão não está prosperando; ele está se desdobrando em bicos para sobreviver, sem direitos ou estabilidade. Somado a isso, o endividamento recorde das famílias e o peso de uma carga tributária sufocante provam que o suposto “crescimento econômico” defendido pela gestão é uma ficção que só funciona no papel e na propaganda oficial.
É fundamental confrontar a propaganda com a vida real. Um governo que se ancora em dados inflados e omite os gargalos da economia real falha em sua principal missão. O Brasil real não vive a bonança descrita nos discursos presidenciais; vive o desafio diário de fechar as contas em um país onde o custo de vida só aumenta e a segurança econômica sumiu.
