Se você achava que o Carnaval do Rio de Janeiro era apenas sobre samba e cultura, a Acadêmicos de Niterói resolveu te atualizar na noite deste domingo. A escola, que estreou no Grupo Especial, transformou a Marquês de Sapucaí em um verdadeiro palanque a céu aberto. O enredo “Lula, o operário do Brasil” foi muito além da “narrativa histórica” prometida e entregou uma propaganda eleitoral antecipada que deixou o tom político mais brilhante que os paetês das passistas.
Enquanto a escola desfilava críticas ao agronegócio, aos evangélicos (retratados em latas de conserva) e ao ex-presidente Bolsonaro (caracterizado como o palhaço Bozo), a exaltação ao atual presidente foi completa. Teve até integrante fazendo o “L” na avenida, ignorando as supostas orientações da própria escola para evitar o gesto.
Onde fica a recomendação da Ministra Cármen Lúcia?
O “detalhe” mais irônico é que, dias antes, a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, foi enfática ao comparar o cenário atual a uma “areia movediça”. Ela alertou que o Carnaval não pode ser “fresta para ilícitos eleitorais” e que quem entra nesse jogo sabe que pode “afundar”. A ministra defendeu que a festa popular não deve servir de plataforma para quem já se anuncia como candidato.
Mas parece que na Sapucaí o recado virou confete:
- Desafio à Justiça: Enquanto o TSE pedia cautela e ética, a avenida viu o uso de uma festa financiada com recursos públicos para promover uma figura política que é candidata natural à reeleição em 2026.
- Seletividade Carnavalesca: É curioso ver como a “sátira” só tem um lado. Para uns, o deboche; para outros, o tapete vermelho da exaltação financiada.
- Informação Complementar: O Palácio do Planalto chegou a formalizar um “tom de cautela”, temendo o desgaste, mas o próprio Lula desceu à pista da Sapucaí para aplaudir a homenagem, ignorando o risco de abuso de poder político e econômico apontado por diversos juristas.
A Acadêmicos de Niterói pode até lutar para permanecer no Grupo Especial, mas em respeito às recomendações de ética e impessoalidade da Justiça Eleitoral, a nota é zero. O eleitor não é bobo: quando o samba vira jingle e a ala vira comitê, a cultura fica em segundo plano para dar lugar ao projeto de poder.
