Por Allyson Barbosa
O Rio Grande do Norte é a terra do sol, mas para milhares de potiguares que investiram em energia limpa, o brilho desse investimento virou um pesadelo financeiro. Como usuário do sistema e porta-voz de tantos outros, trago uma pergunta que não quer calar: até quando seremos reféns da falta de transparência e da intransigência da Neoenergia Cosern?
Há cerca de quatro meses, uma onda de indignação toma conta do estado. Contas que antes vinham no valor mínimo, de repente, sofreram aumentos inexplicáveis, chegando a surreais 300% de alta. O cidadão planeja, investe alto em tecnologia fotovoltaica e, na hora de colher a economia, recebe um boleto que parece uma piada de mau gosto.
O Jogo das Leis e a Realidade dos Boletos
O argumento da concessionária é sempre o mesmo: a cobrança é autorizada pela Lei Federal nº 14.300/2022 (o Marco Legal da Micro e Minigeração Distribuída) e reforçada pela Lei Federal nº 15.269/2025.
A legislação de fato prevê o escalonamento da cobrança do chamado “Fio B” (custo de distribuição), que em 2026 atinge o patamar de 60%. No entanto, a lei não dá salvo-conduto para o caos. O que vemos hoje é uma confusão tributária com a incidência de ICMS e encargos que ninguém consegue explicar, gerando um faturamento que ignora os créditos acumulados pelos usuários.
Mobilização
A pressão é tanta que uma grande manifestação estava marcada para hoje, 06/02/2026, em frente à sede da empresa.
Embora o ato tenha sido desmarcado após a empresa sinalizar a abertura de um diálogo e a apresentação de um “plano de ação”, a desconfiança permanece. O setor de energia solar e os consumidores estão em alerta máximo. Não aceitaremos paliativos enquanto o prejuízo segue batendo à nossa porta.
Basta!
É revoltante ver o esforço de quem acreditou na sustentabilidade ser punido com tamanha voracidade arrecadatória. A Neoenergia pode até ter a lei debaixo do braço para cobrar, mas não tem o direito de sufocar o bolso do potiguar com faturas incompreensíveis e falta de empatia.
