Por Allyson Barbosa
A temperatura subiu na 97 FM Natal com as declarações bombásticas do vereador Cabo Deyvison. O que era para ser uma cobrança parlamentar comum transformou-se em uma denúncia grave de perseguição política e, o que é pior, de uma suposta tentativa de usar instituições de Estado como arma de arremesso.
Deyvison não apenas cobrou; ele escancarou o que acontece nos bastidores quando alguém decide levantar a voz contra a atual gestão de Mossoró.
“Influência no Ministério Público?”
O relato do vereador é de deixar qualquer um preocupado com a saúde da nossa democracia. Segundo Deyvison, um vereador da situação teria ido ao seu gabinete para intimidá-lo, afirmando que o prefeito Allyson Bezerra teria “influência no Ministério Público” e que mandaria o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) atrás dele.
Deyvison foi cirúrgico na resposta: isso tem nome no Código Penal e se chama Exploração de Prestígio. É crime vender a ideia de que se tem influência sobre uma autoridade essencial à Justiça. Usar o nome do Ministério Público e do GAECO para tentar calar um opositor é um absurdo que atenta contra a própria seriedade dessas instituições.
Descredibilizar a Polícia Federal é um erro grave
Outro ponto forte da entrevista foi a crítica à postura do prefeito Allyson Bezerra diante das recentes operações da Polícia Federal. Enquanto o prefeito tenta emplacar a narrativa de “perseguição política”, o Cabo Deyvison lembrou de fatos esquecidos:
- A operação da PF começou em 2023, muito antes de qualquer conversa sobre candidatura ao Governo em 2026.
- Trata-se de uma decisão de um desembargador baseada em investigações da CGU.
Ao dizer que a operação é um “ato político”, o prefeito descredibiliza instituições fundamentais. Deyvison foi enfático: “Eu acredito na Polícia Federal, na Justiça e na CGU”. Colocar o povo contra esses órgãos é um caminho perigoso e sem volta.
Perseguição ou Justiça?
A fala do vereador deixa uma reflexão necessária: se amanhã surgir qualquer operação contra opositores, o povo vai se lembrar da frase dita nos corredores do gabinete. O Ministério Público é fiscal da lei, não instrumento de vingança de político.
O clima em Mossoró e no RN está pesadíssimo. A pergunta que fica é: até onde vai a coragem de quem cobra e até onde vai o medo de quem tenta calar a oposição com ameaças institucionais?
