Por: Allyson Barbosa
Na política, existe um ativo que dinheiro nenhum compra: a coerência. Enquanto o sistema político do Rio Grande do Norte se apressava em apertar as mãos do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), o vereador Cabo Deyvison (MDB) mantinha-se como uma rocha solitária na oposição. Com a deflagração da Operação Mederi pela Polícia Federal no último dia 27 de janeiro, o discurso de Deyvison não apenas sobreviveu — ele ficou gigante.
De “Opositor” a “Porta-Voz da Realidade”
O crescimento de Cabo Deyvison daqui para frente não é apenas uma possibilidade, é uma tendência matemática. A pré-campanha do vereador, que já mirava voos mais altos para a Assembleia Legislativa ou Câmara Federal, ganha agora três combustíveis potentes:
- A Validação da Denúncia: Tudo o que Deyvison vinha apontando sobre a gestão municipal agora está sob a lupa da PF. Para o eleitor, ele deixou de ser “alguém que reclama” para ser “alguém que avisou”.
- A Mancha na Saúde: A “Matemática de Mossoró”, revelada pelas investigações, atinge o ponto mais sensível da população. Deyvison, ao focar na fiscalização rigorosa, torna-se o herdeiro natural da indignação popular.
- Capilaridade Estadual: O que era um fenômeno de Mossoró agora ganha o RN. O estado inteiro quer ouvir quem teve coragem de enfrentar o “fenômeno” Allyson Bezerra quando ele parecia imbatível.
O Entrave do MDB e o “Muro” de Walter Alves
Porém, nem tudo são flores no caminho de Deyvison. O vereador enfrenta um dilema partidário que exige habilidade de mestre: ele ainda está filiado ao MDB.
Como já tratamos aqui no blog, o presidente estadual da legenda, o vice-governador Walter Alves, selou recentemente uma aliança com Allyson Bezerra. Essa “saia justa” coloca Deyvison em uma posição de confronto direto com a cúpula do próprio partido. Se Walter tentar bloquear sua saída ou sua candidatura — como fez com outros nomes no passado —, poderá transformar o Cabo em um “mártir político”, o que só aumentaria sua força eleitoral.
O Tamanho de 2026
O crescimento de Cabo Deyvison nas próximas semanas deve ser medido não apenas por curtidas, mas pela adesão de lideranças que agora buscam uma alternativa viável ao governismo desgastado. Se o MDB fechar as portas para ele, outras legendas de oposição abrirão um tapete vermelho.
Deyvison sai dessa operação com um capital político que os melhores institutos de pesquisa ainda vão levar tempo para processar, mas que o cidadão comum já sente no bolso e na saúde.
Conclusão
Cabo Deyvison provou que, na política potiguar, o tempo é o senhor da razão. Ele não precisa mais elevar o tom de voz; os fatos agora gritam por ele. A dúvida não é mais se ele vai crescer, mas qual será o tamanho da sua vitória em 2026 se a coerência continuar sendo sua bússola.
