A MATEMÁTICA DE MOSSORÓ”: GRAVAÇÕES DA PF DETALHAM SUPOSTA FATIA DE R$ 60 MIL PARA ALLYSON BEZERRA EM ESQUEMA DE SAÚDE

A MATEMÁTICA DE MOSSORÓ”: GRAVAÇÕES DA PF DETALHAM SUPOSTA FATIA DE R$ 60 MIL PARA ALLYSON BEZERRA EM ESQUEMA DE SAÚDE

Por: Allyson Barbosa

O Rio Grande do Norte amanheceu sob os holofotes da imprensa nacional, mas não por suas belezas. A Operação Mederi, da Polícia Federal, que investiga desvios milionários na saúde, revelou detalhes estarrecedores de como o dinheiro público estaria sendo fatiado entre empresários e agentes políticos. O impacto foi tamanho que o caso virou notícia nos principais telejornais do país, colocando o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), no centro de uma tempestade política e jurídica.

Dinheiro no Isopor e Gravações Comprometedoras

A operação não economizou em cenas cinematográficas. Na casa de Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed, os agentes federais encontraram R$ 55 mil escondidos dentro de uma caixa de isopor. No total, a PF apreendeu R$ 251 mil em espécie durante as buscas.

No entanto, o ponto mais crítico da investigação surgiu de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Em diálogos gravados, os sócios da Dismed descrevem o que apelidaram de “A Matemática de Mossoró”. Segundo os empresários, o esquema funcionava com uma divisão milimétrica de uma ordem de compra de R$ 400 mil.

A Divisão do “Bolo” segundo a PF:

De acordo com as gravações, de um contrato de R$ 400 mil, apenas R$ 140 mil eram usados para comprar remédios de fato. O restante seria assim distribuído:

  • R$ 130 mil: Comissão para os sócios da empresa;
  • R$ 30 mil: Para a empresa Dismed;
  • R$ 40 mil: Para uma mulher ainda não identificada;
  • R$ 60 mil: Destinados ao prefeito Allyson Bezerra.

Remédios Vencidos e Prefeituras na Mira

O esquema não se limitava a Mossoró. Em Serra do Mel, a PF descobriu um descaso absurdo: mil comprimidos para pressão alta e arritmia foram entregues apenas um dia antes de vencerem. Resultado? O lote inteiro foi para o lixo, e o prejuízo ficou para o povo. As prefeituras de Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha também estão sob investigação.

O Outro Lado

A defesa de Allyson Bezerra agiu rápido, afirmando que não existe prova que o vincule pessoalmente ao caso e ressaltando que ele não sofreu medidas restritivas, permanecendo no cargo. Em vídeo, o prefeito negou as acusações e reforçou que sua gestão aumentou os mecanismos de transparência.

As prefeituras de José da Penha e Paraú defendem a legalidade das compras; Serra do Mel diz colaborar com a PF; e São Miguel empurra a responsabilidade para a gestão anterior.

Conclusão

Quando uma investigação da PF chega ao ponto de dar nome e valores a uma suposta propina, o cenário muda de patamar. A “Matemática de Mossoró” agora é um problema que Allyson Bezerra terá que resolver não com marketing, mas com provas contundentes na Justiça Federal. O RN assiste atônito enquanto o dinheiro da saúde parece ter tido qualquer destino, menos o braço do cidadão que precisa de remédio.

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