Por: Allyson Barbosa
É difícil acreditar, mas em 2026 ainda estamos falando de “força-tarefa” para levar água por carro-pipa no Rio Grande do Norte. O caso mais recente é em São João do Sabugi, no Seridó. O governo anunciou que vai buscar água do Rio São Francisco para abastecer a cidade via caminhão. A cota? Apenas 20 litros de água por dia por pessoa.
Para você ter uma ideia, 20 litros não dão para uma descarga e um banho rápido. É uma cota de sobrevivência, uma humilhação para o cidadão que paga seus impostos.
O Lucro da Escassez A pergunta que não quer calar: por que, após décadas de promessas e bilhões investidos, o poder público ainda não consegue entregar água na torneira de forma efetiva? A resposta é amarga: a seca é lucrativa. A “Indústria da Seca” movimenta milhões em contratos de aluguel de carros-pipa que nunca terminam. Enquanto a adutora não chega ou não funciona, o dinheiro público escorre pelo ralo dos contratos emergenciais. Muita gente ganha muito dinheiro mantendo o povo com sede.
O Fracasso da Gestão O exemplo de São João do Sabugi é o retrato do fracasso da gestão hídrica. Depender de uma logística cara e lenta de caminhões para trazer água do São Francisco é atestar que as obras estruturantes ficaram apenas no papel ou foram mal executadas. É tratar o povo do Seridó como se estivesse vivendo no século passado.
Controle e Dependência Manter o povo dependente do caminhão-pipa é manter o “cabresto” vivo. Quem controla a chave do caminhão, muitas vezes, tenta controlar o voto. A água vira um favor, quando deveria ser um direito básico atendido por encanamento e saneamento.
Conclusão Vinte litros por dia é um insulto. O Rio Grande do Norte não precisa de mais “forças-tarefas” de emergência; precisa de vergonha na cara e conclusão das obras que libertem o povo dessa dependência vergonhosa. Até quando vamos aceitar que a sede de uns seja o banquete de outros?
