A CONTA NÃO FECHA: POR QUE O SALÁRIO SOBE PELA ESCADA E O IMPOSTO DE ELEVADOR?

A CONTA NÃO FECHA: POR QUE O SALÁRIO SOBE PELA ESCADA E O IMPOSTO DE ELEVADOR?

Por Allyson Barbosa

O ano de 2026 começou com uma notícia que, à primeira vista, parece positiva: o novo salário-mínimo de R$ 1.621 já está em vigor. Para quem ganha o piso, o aumento de R$ 103 (cerca de 6,79%) no bolso é um alento. No entanto, quando o trabalhador chega ao supermercado ou paga o boleto da luz, a sensação de “ganho real” desaparece mais rápido do que o dinheiro na conta.

O problema central é matemático e cruel: enquanto o salário-mínimo segue regras rígidas de reajuste — baseadas na inflação (INPC) e no crescimento do PIB — os impostos sobre o consumo e os preços dos serviços básicos parecem não ter teto.

O Peso dos Impostos no Dia a Dia

No Brasil, a carga tributária é “invisível”, mas pesada. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o brasileiro trabalha quase cinco meses do ano apenas para pagar impostos. A grande questão é que a nossa tributação foca no consumo (o que compramos) e não apenas na renda.

Isso significa que, quando você compra um quilo de arroz ou um botijão de gás, o percentual de imposto ali embutido é o mesmo para quem ganha um salário-mínimo e para quem ganha cem. Na prática, o imposto “morde” uma fatia muito maior do orçamento de quem ganha menos.

A Reforma Tributária e o Futuro

Estamos em 2026, ano em que a Reforma Tributária inicia sua fase de testes com as novas alíquotas (IBS e CBS). A promessa é de um sistema mais simples, mas o equilíbrio ainda está longe. Enquanto a reforma não reduz efetivamente o custo de vida para a base da pirâmide, o aumento do salário-mínimo acaba sendo apenas uma tentativa de “correr atrás do prejuízo”.

Conclusão: Mais Números, Menos Poder de Compra

Embora o governo celebre o ganho real de 2,5% acima da inflação este ano, o sentimento nas ruas de Parnamirim e de todo o Rio Grande do Norte é de que o poder de compra continua estagnado. A conta é simples: se o seu salário sobe 6%, mas a conta de luz, o combustível e os impostos indiretos sobem no mesmo ritmo ou mais, você não ficou mais rico; você apenas está tentando não ficar mais pobre.

Para o trabalhador, a esperança não está apenas no aumento do valor nominal do contracheque, mas em uma reforma que pare de tributar tanto o consumo básico, permitindo que os R$ 1.621 rendam, de fato, o que deveriam render.

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