Natal enfrentou dias difíceis com as últimas chuvas, e a indignação de quem teve sua casa invadida pela água é mais do que legítima; é um grito por socorro que precisa de resposta. O que não é legítimo, no entanto, é a seletividade política de quem só aparece na hora da tragédia para transformar o sofrimento alheio em palanque eleitoral.
Refiro-me à recente “visita” da deputada federal Natália Bonavides aos bairros atingidos pelos alagamentos. É muito fácil apontar o dedo para a Prefeitura de Natal, que, vale registrar, não se omitiu. O prefeito Paulinho Freire já foi à imprensa, assumiu a responsabilidade e, mais importante, estabeleceu prazos claros para a conclusão das obras de drenagem que darão uma solução definitiva ao problema.
Onde estão as emendas?
O questionamento que fica para a deputada e para a “turma do atraso” é simples: quantos reais em emendas parlamentares foram destinados para resolver os alagamentos de Natal? Parece haver um padrão. Na obra da engorda de Ponta Negra, essencial para o turismo e para o natalense, a pergunta é a mesma: quanto do orçamento da deputada foi destinado para viabilizar aquele projeto? Criticar é de graça, mas governar e ajudar a cidade exige envio de recursos, coisa que a deputada parece economizar quando o assunto é o bem de Natal.
O silêncio sobre o caos estadual
O que realmente chama a atenção é o que a deputada não visita.
- Será que veremos Natália Bonavides nos corredores do Hospital Walfredo Gurgel, onde ontem, dia 11/02/2026, o teto da UTI G2 desabou sobre um paciente?
- Será que ela visitará as inúmeras obras paradas do Governo do Estado que se arrastam há anos?
- Será que haverá um vídeo de indignação sobre o ranking vergonhoso da nossa educação estadual?
A seletividade é gritante. Para Natália, os problemas de Natal são pauta para bater na gestão municipal, mas ela fecha os olhos para o que muitos já consideram a pior gestão da história do Rio Grande do Norte.
Natal quer solução, não oportunismo
A população de Natal está cansada de quem usa o sofrimento como escada política. Se a deputada quer realmente ajudar, que destine as emendas necessárias para as obras estruturantes da nossa cidade. Aproveitar-se da dor de quem perdeu móveis para atacar o adversário, enquanto protege o caos do governo estadual, não é fazer política; é puro oportunismo.
Natal precisa de braços que ajudem a construir, não apenas de dedos que saibam apontar falhas alheias enquanto escondem as próprias omissões.
