O Brasil acordou com uma daquelas notícias que abalam as estruturas da República. Detalhes revelados pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, trazem à tona um diálogo nada usual entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O cenário? O dia 17 de novembro de 2025 data da primeira prisão do banqueiro pela Polícia Federal.
O Método do “Bloco de Notas”
O que mais chama a atenção não é apenas o contato, mas o método. Segundo a reportagem, eles não digitavam diretamente no WhatsApp. Escreviam no bloco de notas do celular, tiravam um print e enviavam como “visualização única”. Uma estratégia clara para não deixar rastros digitais de texto.
Mas o feitiço virou contra o feiticeiro: a PF apreendeu o celular de Vorcaro e, com softwares especiais, conseguiu reconstruir o que as mensagens de visualização única tentaram apagar.
O Conteúdo: Tentativa de “Bloquear” Operações?
Nas mensagens, Vorcaro demonstrava desespero e pressa. Ele falava sobre a venda do banco para a Fictor (que naufragou logo depois) e, mais grave ainda, parecia pedir ajuda para conter vazamentos e investigações.
“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, perguntou o banqueiro às 17h26.
Pouco depois, às 20h48, Vorcaro envia a última mensagem antes de ser preso, citando até o dono do BTG, André Esteves. Moraes teria respondido com um simples “joinha” (👍).
O Conflito de Interesses de 129 Milhões
Para colocar mais lenha na fogueira, a reportagem relembra que a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato milionário com o Banco Master: R$ 3 milhões mensais. No total, o acerto chegaria a astronômicos R$ 129 milhões.
O Outro Lado
O gabinete de Alexandre de Moraes nega tudo. Diz que as perícias técnicas não confirmam que aquelas mensagens foram para o ministro e que os prints estariam vinculados a outros contatos. No entanto, O Globo reafirma a apuração, garantindo que o número foi checado e que a extração dos dados foi feita diretamente do aparelho pela perícia da PF.
Onde Estamos?
Se Ciro Gomes já falava em “esculhambação” sobre a relação entre ministros e bancos, esses novos fatos elevam o tom da crise. Estamos diante de um caso de acesso privilegiado a inquéritos sigilosos? Ou de uma trama de influência que mistura o público e o privado de forma perigosa?
O Brasil exige transparência. Não dá para governar ou julgar por meio de mensagens que se apagam.
