Eu confesso que estou impressionado — e preocupado. O que o ex-governador Ciro Gomes trouxe a público recentemente não é apenas uma denúncia política; é um raio-x assustador de como as facções criminosas (PCC e Comando Vermelho) podem estar infiltradas nas veias do Estado vizinho, o Ceará.
Ciro não mediu palavras e deu nomes aos bois, expondo um cenário onde a política e o crime organizado parecem caminhar de mãos dadas, sob o silêncio de quem deveria fiscalizar.
Os nomes e os casos que assustam:
- Bebeto do Choró: Segundo Ciro, o prefeito (eleito pelo PSB) seria ligado ao PCC de São Paulo e está foragido há mais de um ano, mesmo com ordem de prisão. A pergunta que fica no ar: por que não o prendem se todos sabem onde ele anda?
- O Caso Santa Quitéria: Ciro detalha o caso de “Braguinha”, que teria sido gravado prometendo R$ 1,5 milhão ao Comando Vermelho para impedir o povo de votar na oposição. O mais grave? Após sua cassação, o filho foi eleito pelo mesmo partido.
- Contratos Milionários no Icó: A denúncia aponta um contrato de R$ 10 milhões em uma prefeitura ligada a lideranças do governo federal com um membro do Comando Vermelho que possuía apenas uma pequena farmácia.
- Territórios Expulsos: Em Morada Nova, um distrito inteiro teria sido esvaziado por ordem do crime, com a polícia apenas “escoltando a mudança” das famílias expulsas.
O “Ovo Goro” e a Política
Ciro alerta para o que chama de “ovo goro” dentro das instituições: uma polícia competente, mas travada por interesses maiores e pelo dinheiro bilionário das drogas que irriga campanhas políticas. O ponto central da crítica é a convivência desses nomes dentro do PSB, partido presidido por Eudoro Santana, pai do ministro Camilo Santana.
O alerta serve para todos nós: quando a polarização “Lula x Bolsonaro” cega o eleitor, problemas locais gravíssimos — como a infiltração de facções na política — passam despercebidos. O Ceará hoje é um espelho do que não queremos para o nosso Rio Grande do Norte. É preciso encarar o que vem por aí com coragem, ou seremos engolidos pelo sistema.
