Na última terça-feira, 10 de fevereiro, a governadora Fátima Bezerra subiu à tribuna da Assembleia Legislativa para sua última leitura anual. Mas, para quem conhece a realidade das ruas do Rio Grande do Norte, o que se ouviu não foi um relatório de gestão, mas uma incursão direta no “Multiverso do PT”.
O deputado estadual José Dias, conhecido por sua lucidez e firmeza, resumiu o sentimento de muitos potiguares em um pronunciamento memorável. O parlamentar afirmou que a governadora foi “prestar contas do que não fez” e disparou: na idade dele, teme a “tortura mental” de ouvir informações tão absurdas vindas de quem deveria cuidar do nosso dinheiro.
Uma Suíça no Papel, um RN em Crise
Enquanto Fátima descrevia um estado que parecia a Suíça, a população sentia o peso do Rio Grande do Norte real. O discurso de “vitórias” ignora dados críticos que a gestão prefere esconder sob o tapete da propaganda:
- Estradas da Morte: A governadora falou em investimentos, mas o motorista potiguar convive com crateras nas rodovias estaduais que destroem veículos e ceifam vidas diariamente.
- Caos na Saúde: Onde está a excelência descrita, se as filas de cirurgias eletivas continuam quilométricas e hospitais regionais sofrem com a falta de insumos básicos?
- Segurança Pública: Fátima desenhou um estado seguro, mas o RN continua figurando em rankings alarmantes de violência, com o crime organizado avançando sobre territórios onde o Estado é ausente.
- A “Segurança Hídrica” de Emergência: Como citamos anteriormente, celebrar a Transposição enquanto se assina decretos de emergência por seca é a prova definitiva de que o governo vive em outra dimensão.
A Razão de José Dias
O deputado José Dias tem total razão. É doloroso para o cidadão e para o parlamentar sério assistir a uma autoridade máxima distorcer a realidade com tanta naturalidade. O Rio Grande do Norte não precisa de contos de fadas ou de narrativas de multiverso; precisa de gestão técnica, estradas pavimentadas, hospitais funcionando e respeito com o erário.
A leitura anual foi um festival de autoelogios que não enche o prato do trabalhador e nem tapa o buraco da estrada. O RN real espera que a governadora, em seus meses finais, desça do palco e venha enfrentar os problemas que ela mesma ajudou a criar.
