Nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a governadora Fátima Bezerra realizou sua última leitura anual na Assembleia Legislativa. O que se ouviu, no entanto, foi a descrição de um Rio Grande do Norte que parece não existir no mapa do Brasil — ou, pelo menos, não é o estado onde o povo potiguar vive.
O tom da mensagem foi de celebração e vitórias, mas a pergunta que fica nos corredores da ALRN e nas ruas é uma só: de qual estado a governadora estava falando?
A Transposição no Papel vs. A Sede no Sertão
O ponto mais curioso — e contraditório — do discurso foi quando Fátima se referiu à Transposição do Rio São Francisco. A governadora afirmou que a obra trouxe “segurança hídrica definitiva” ao nosso Sertão.
O problema é que os fatos e os documentos assinados pela própria governadora desmentem essa narrativa de forma constrangedora:
- O Decreto do Desmentido: Enquanto Fátima celebrava a “abundância”, o Rio Grande do Norte segue sob um Decreto de Emergência em decorrência da seca. O documento oficial reconhece a gravidade da situação climática e a incapacidade do Estado em garantir água para todos sem medidas excepcionais.
- Cidades em Colapso: Municípios que deveriam ser os beneficiários diretos da Transposição e da segurança hídrica alardeada, como Currais Novos e Acari, além de diversas cidades do Alto Oeste e Seridó, continuam sofrendo com o abastecimento precário.
- A Realidade da População: Para o agricultor que vê a terra rachada e para a dona de casa que depende de carros-pipa, o discurso da governadora soa como uma afronta. Não há segurança hídrica onde o decreto de emergência é a única ferramenta que o Governo apresenta.
Marketing ou Gestão?
A última leitura anual de um governo deveria ser um momento de prestação de contas honesta, e não uma peça de ficção publicitária. Falar em segurança hídrica com uma caneta que assina decretos de calamidade por falta de água é a prova de que a gestão Fátima Bezerra se descolou da realidade.
O Rio Grande do Norte real enfrenta buracos nas estradas, insegurança e hospitais em crise. Tentar esconder isso com um discurso bonito no plenário não muda a vida de quem está na ponta. O mandato está acabando, mas a população permanece esperando o estado que a governadora descreveu hoje.
