A TURMA DO “QUANTO PIOR, MELHOR”: USANDO O SOFRIMENTO DO POVO COMO PANTEÃO POLÍTICO

A TURMA DO “QUANTO PIOR, MELHOR”: USANDO O SOFRIMENTO DO POVO COMO PANTEÃO POLÍTICO

Por Allyson Barbosa

O fenômeno é previsível: a água sobe e, no mesmo ritmo, sobe a ‘coragem’ da Turma do Atraso em apontar o dedo. Eles não aparecem no primeiro sinal de chuva, mas sim no primeiro sinal de dor do povo de Natal que possa ser transformado em palanque. É uma militância que exige nota 10 da Prefeitura, mas que parece viver em um universo paralelo onde o Estado não tem estradas destruídas, educação na lanterna e um sistema de saúde que respira por aparelhos.

Após as chuvas que atingiram o bairro Nossa Senhora da Apresentação, vimos famílias sofrendo com a água invadindo suas casas. É um transtorno real, grave, e que deve, sim, ser cobrado da Prefeitura. Afinal, gestão pública se faz com prevenção, não apenas com nota de esclarecimento. Ninguém aqui passa pano para bueiro entupido ou obra atrasada.

Eles surgem com o celular na mão, indignação no rosto e um discurso de “perfeição absoluta” que cobram da administração municipal. Mas o que intriga o cidadão comum é a indignação seletiva dessa turma. Parece que eles sofrem de uma estranha miopia política:

  • Na Prefeitura: Enxergam até o grão de areia fora do lugar.
  • No Governo do Estado: Ficam mais cegos que o tomógrafo quebrado do Hospital Walfredo Gurgel.

É fascinante notar como essa turma — que podemos carinhosamente chamar de “Os Defensores do Buraco Alheio” — ignora solenemente o estado quebrado, as estradas que parecem queijo suíço e o fato de ostentarmos, com muita tristeza, alguns dos piores índices educacionais do país. Para eles, o sofrimento da população só merece “textão” e vídeo indignado se o culpado não for do mesmo diretório.

A pergunta que fica para essa turma é: onde estava essa mesma energia quando o paciente esperava meses por um exame no Estado? Onde está o vídeo gravado no meio da buraqueira das rodovias estaduais?

Cobrar a Prefeitura pelos alagamentos na Zona Norte é justo e necessário. Usar a dor de quem perdeu móveis para fazer politicagem barata, enquanto finge que o Governo do Estado é um paraíso nórdico, é apenas oportunismo.

Natal merece soluções, não um teatro de quem só vê o que lhe convém.

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