Por Allyson Barbosa
Dizem que o tempo é o senhor da razão, mas em Mossoró, ele parece ser também o senhor da conveniência. Quem não se lembra do jovem impetuoso, de discurso afiado e “pé no chão”, que subia nos palanques prometendo libertar a cidade das garras das velhas oligarquias? Era o fim da era dos sobrenomes, diziam os entusiastas. Pois bem, abram alas: a “nova política” chegou, e ela tem uma cara estranhamente familiar.
A ironia é fina, quase poética. O político que se elegeu demonizando os acordos de gabinete e o poder hereditário parece ter descoberto que, no fim das contas, o “sistema” não é tão ruim assim — desde que ele esteja no comando do controle remoto.
O Checklist da “Mudança”
Para você que está tentando entender essa nova metamorfose brasiliense (ou mossoroense), aqui vai o manual da nova política:
- Combate às Oligarquias: Funciona maravilhosamente bem… até que elas se tornem aliadas úteis.
- Renovação: Trocar os nomes antigos por práticas idênticas, mas com um filtro de Instagram mais moderno.
- Coerência: Um conceito meramente ilustrativo, descartável na primeira oportunidade de expansão de poder.
É fascinante observar como o discurso da “libertação” envelheceu rápido. O que antes era chamado de “velha política” pelos aliados do prefeito, hoje é tratado com o tapete vermelho da pragmática eleitoral. Aparentemente, o problema nunca foi a existência de oligarquias ou grupos de poder, mas sim o fato de que Allyson ainda não era o padrinho de todas elas.
“Na política, o ódio de hoje é o café da manhã de amanhã. O problema é que o eleitor costuma ficar com a conta do restaurante.”
No fim das contas, a lição que fica é clara: em Mossoró, a “nova política” não veio para substituir a velha. Veio apenas para provar que, com o chapéu certo e a narrativa ajustada, o povo aceita o mesmo vinho, só que em uma garrafa com rótulo novo.
Parabéns, Prefeito. A sua capacidade de se tornar exatamente aquilo que você jurou combater é, sem dúvida, o seu maior triunfo político até aqui.
