Por Allyson Barbosa
A farra dos cachês astronômicos pagos com dinheiro público está com os dias contados. Depois de prefeitos da Bahia e do Ceará se unirem contra o que chamam de “aumento abusivo e sem justificativa” nos valores cobrados por grandes bandas, o movimento desembarcou com força no Rio Grande do Norte.
A frente dessa batalha está o presidente da FEMURN, Babá Pereira, que convocou gestores para uma reunião decisiva. O objetivo? Colocar ordem na casa antes que o São João de 2026 vire um rombo impagável para as prefeituras potiguares.
O “Efeito Dominó” no Nordeste
Como já havíamos discutido aqui sobre o levante no Ceará, os gestores nordestinos cansaram de ser “reféns” de produtoras. O cenário é alarmante: enquanto as receitas municipais caem, os cachês de algumas atrações deram saltos inexplicáveis, chegando a dobrar de valor em menos de um ano.
Babá Pereira destacou que a prioridade agora é o diálogo institucional. A ideia não é acabar com a festa — que é vital para a nossa cultura e economia — mas garantir:
- Transparência e Legalidade: Contratos que sigam critérios claros.
- Equilíbrio Fiscal: Evitar que um show de duas horas comprometa o pagamento de cirurgias, remédios ou postos de saúde.
- Segurança Jurídica: Criar parâmetros para que os prefeitos não sejam punidos por órgãos de controle devido a gastos desproporcionais.
A Conta não Fecha
No RN, o debate ganha urgência. Dados recentes mostram que, apenas no início de 2026, alguns municípios já empenharam milhões em eventos, enquanto serviços básicos pedem socorro. O movimento liderado pela FEMURN busca justamente esse ponto de equilíbrio: valorizar o artista, mas respeitar o bolso do cidadão.
A expectativa é que, a exemplo da Bahia (onde a UPB já se reuniu com o Ministério Público), o Rio Grande do Norte também estabeleça um teto ou critérios rígidos de contratação. O São João é patrimônio nosso, mas não pode custar a falência das nossas cidades.
Gestão com Responsabilidade
Babá Pereira acerta ao puxar essa responsabilidade. Em ano de crise e arrocho, investir o dinheiro do povo exige critério. Promover a cultura é necessário, mas pagar cachês inflacionados em detrimento da assistência social é, no mínimo, má gestão.
O recado foi dado: a “indústria do milhão” nas festas juninas vai ter que se adequar à realidade do sertão.
