Por Allyson Barbosa
A política nacional está em polvorosa com o protocolo da CPMI do Banco Master nesta semana, mas um detalhe na lista de assinaturas chamou a atenção de quem acompanha os bastidores aqui no Rio Grande do Norte. Enquanto o escândalo de fraudes bilionárias e supostas conexões com o alto escalão do governo e do judiciário ganha corpo, parte da nossa bancada preferiu a sombra ao holofote da investigação.
A pergunta que não quer calar nos grupos de política é: por que a senadora Zenaide Maia e os deputados Robinson Faria, João Maia, Benes Leocádio e Fernando Mineiro não assinaram o requerimento?
O Escândalo do Banco Master: Entenda o caso
Para quem está por fora, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) pretende investigar um rombo que faria a Lava Jato parecer “ensaio”. São denúncias de:
- Fraudes Bilionárias: Estimadas em mais de R$ 12 bilhões.
- Manipulação Contábil: Criação de ativos inexistentes para esconder prejuízos.
- Conexões Perigosas: Envolvimento de familiares de ministros do STF em contratos com o banco.
O requerimento, liderado pela oposição, já conta com cerca de 280 assinaturas, mas a ausência desses nomes potiguares levanta suspeitas sobre as reais motivações de cada um.
O Xadrez dos Ausentes
A ausência de assinaturas não é apenas um esquecimento; é um posicionamento político. Vamos analisar os perfis:
- Zenaide Maia e Fernando Mineiro: Alinhados totalmente ao Governo Lula, seguem a orientação da base governista de tentar barrar qualquer CPI que possa desgastar a imagem do Planalto ou respingar em aliados estratégicos. Para eles, investigar o Master pode ser “fogo amigo”.
- Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio: Aqui o cenário é mais curioso. Parlamentares que transitam pelo “centrão” e que, muitas vezes, evitam bater de frente com o sistema financeiro ou com articulações que envolvem o Judiciário. O silêncio deles pode ser fruto de acordos de bastidores ou do receio de retaliações em Brasília.
A Dúvida que Fica: Medo ou Conveniência?
Quando um parlamentar se recusa a assinar uma investigação sobre um desvio de R$ 12 bilhões, ele deve uma explicação ao seu eleitor. É proteção ao Governo Federal? É medo de que a investigação chegue a nomes “intocáveis” do Judiciário? Ou é apenas a velha política de não se indispor com quem tem a caneta e o cofre?
Ao contrário deles, nomes como Rogério Marinho, Styvenson Valentim, General Girão, Sargento Gonçalves, Nathalia Bonavides e Carla Dickson já colocaram suas assinaturas no papel, exigindo transparência.
O povo do Rio Grande do Norte está de olho. Em tempos de redes sociais, o silêncio também é uma resposta — e, neste caso, ela soa muito mal para quem prega a ética na gestão pública.
