Por: Allyson Barbosa
A política é feita de símbolos, mas sobrevive de resultados. Para o PT, o Nordeste sempre foi o “coração” que mantinha o corpo vivo quando o resto do país parecia dar as costas. Em 2022, a vantagem de 12 milhões de votos na região foi o que garantiu a Lula o Palácio do Planalto. Mas, para 2026, o cenário está mudando — e o alerta vermelho acendeu em Brasília.
O problema não é apenas o presidente; o peso morto vem das gestões estaduais. O desempenho abaixo do esperado de governadores petistas na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte está criando um efeito “âncora”, puxando a popularidade de Lula para baixo justamente onde ele não pode errar.
Rio Grande do Norte: O Fator Allyson Bezerra
Aqui no RN, o cenário é emblemático. A governadora Fátima Bezerra (PT) enfrenta recordes de desaprovação, chegando a marcas que superam os 60% em algumas sondagens. Ao anunciar que deixará o governo para disputar o Senado, Fátima deixa um vácuo de poder e um partido que patina nas pesquisas, aparecendo apenas em terceiro lugar.
Enquanto isso, a liderança consolidada do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, mostra que o eleitor potiguar está buscando alternativas fora do eixo petista. Se o PT perder o RN, perde um pilar histórico de sustentação nacional.
Ceará e Bahia: Redutos sob Ameaça
- No Ceará: O governador Elmano de Freitas (PT) amarga baixa popularidade e já vê a sombra de Ciro Gomes crescendo na oposição. O desespero é tanto que o ministro Camilo Santana já anunciou que deixará o MEC para “apagar o incêndio” na região. A estratégia é clara: Camilo é o plano B (ou A) para evitar que o estado escape das mãos do PT.
- Na Bahia: Maior colégio eleitoral do Nordeste, o estado vive uma crise de segurança pública que sangra a gestão de Jerônimo Rodrigues (PT). Com ACM Neto novamente no retrovisor e uma rejeição que já supera a aprovação em levantamentos recentes, o “bunker” petista nunca esteve tão vulnerável.
O Risco do Equilíbrio Eleitoral
A matemática é simples e cruel: se Lula vencer na Bahia por 1 milhão de votos em vez de 3 milhões, e se a desaprovação de Fátima Bezerra e Elmano afastar o eleitor indeciso no RN e no Ceará, a conta nacional não fecha.
O PT percebeu que não basta ter Lula na cabeça da chapa se os “generais” nos estados estão perdendo a guerra da opinião pública. A estratégia de reação agora é uma corrida contra o tempo para descolar a imagem do presidente de gestões estaduais desgastadas ou, em último caso, trocar os jogadores antes que o juiz apite o início de 2026.
O Nordeste continua sendo a esperança do PT, mas, pela primeira vez em décadas, essa esperança está cercada de incertezas e de uma oposição que aprendeu a falar a língua da região.
