Por Allyson Barbosa
Os números não mentem, mas às vezes eles assustam. A mais recente pesquisa PoderData, realizada agora em janeiro de 2026, traz um soco no estômago do discurso oficial: a percepção de que a corrupção aumentou no governo Lula subiu 10 pontos em dois anos, saltando de 39% para 49%.
Estamos falando de quase metade da população sentindo o cheiro de queimado no ar. Mas o que realmente intriga não são esses 49% que estão de olhos abertos. A verdadeira pergunta é: onde vivem, o que comem e como se informam os outros 51% que acham que está tudo “igual” ou que a corrupção “diminuiu”?
A Conta que Não Fecha
Enquanto o grupo dos que veem a corrupção crescer dispara, o time dos otimistas derreteu. Quem acreditava que a corrupção estava caindo despencou de 30% para pífios 18%.
Ainda assim, temos uma fatia considerável da população (28%) que diz que “ficou igual”. Fica o questionamento: ficar “igual” a períodos onde escândalos eram rotina é algo para se comemorar? Ou será que nos acostumamos tanto com o errado que o “marasmo ético” virou padrão aceitável?
O Perfil do Desencanto
Os dados mostram que quem tem mais acesso à informação e maior escolaridade está mais crítico:
- 56% dos brasileiros com ensino superior afirmam: a corrupção aumentou.
- 56% dos que ganham acima de 5 salários mínimos concordam.
- No Centro-Oeste, o índice de percepção de aumento chega a 55%.
Lulistas em Crise de Consciência?
O dado mais curioso da pesquisa é o “fogo amigo”. Até entre quem votou no atual presidente, o sinal de alerta acendeu: 30% dos eleitores de Lula admitem que a corrupção aumentou. Ora, se 1 em cada 3 aliados já percebe o problema, o que falta para o resto do grupo enxergar?
A polarização criou uma espécie de cegueira seletiva. De um lado, 71% dos bolsonaristas veem o aumento (o que é esperado pela oposição). Do outro, uma ala governista que parece viver em um Brasil paralelo, onde os noticiários não chegam ou as justificativas ideológicas valem mais que a ética pública.
O “Fato Novo” é a Realidade
Não adianta “metralhadora de comunicação” ou criar agendas positivas para abafar investigações. A percepção do povo é como maré: demora a virar, mas quando vira, arrasta tudo.
Se o governo continuar ignorando esse sentimento de quase metade da nation, 2026 não será o ano do “fato novo”, mas sim o ano do acerto de contas com a realidade.
