Por: Allyson Barbosa
Dizem que em Brasília a justiça tarda e, se depender do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ela falha por falta de tempo. Apesar de a oposição já ter conseguido o número necessário de assinaturas para investigar as entranhas do Banco Master, o sistema ativou o modo “defesa” e o requerimento está pegando poeira em uma gaveta muito bem trancada.
A Desculpa da “Fila”: O labirinto do Regimento
A justificativa oficial de Hugo Motta é a famosa “fila de espera”. Segundo interlocutores, o presidente da Casa alega que o Regimento Interno limita o número de CPIs e CPMIs funcionando simultaneamente. É a desculpa perfeita: no papel, é técnica; na prática, é política pura.
Enquanto escândalos bilionários, suspeitas de lavagem e conexões perigosas com o alto escalão do Judiciário e do Executivo gritam por esclarecimentos, o comando da Câmara prefere tratar o tema como se fosse uma fila de banco em dia de feriado.
O Jogo de Empurra: De Motta para Alcolumbre
A estratégia do represamento não é solitária. Para que a CPMI saia do papel, o Senado também precisa dar o aval. A oposição tenta articular com Davi Alcolumbre, mas a resistência de Hugo Motta serve como um escudo perfeito. Se a Câmara não prioriza, o Senado não pressiona, e o Banco Master continua operando livre de questionamentos legislativos.
Blindagem em Ano Eleitoral
Nos bastidores, o motivo real é o receio de desgaste. Investigar uma instituição financeira com tantos “tentáculos” no poder — como já denunciamos aqui no blog — é mexer em um vespeiro que muitos deputados preferem evitar, especialmente em ano de eleição.
O que vemos é a política do “faz de conta”: os parlamentares cumprem o requisito das assinaturas para dar uma satisfação ao eleitor, mas a cúpula do Congresso garante que o processo não avance para não quebrar a harmonia dos porões de Brasília, regada a vinhos e prestígio.
Conclusão: O Triste Destino do Eleitor
O mais desolador de toda essa manobra é observar a engrenagem funcionando para proteger o sistema. Hugo Motta, ao travar a investigação, não está apenas seguindo o regimento; está enviando um sinal claro de quem são os protegidos da vez.
E o pior: enquanto o sistema se protege, os nomes envolvidos nessas manobras seguem com seus planos de reeleição intactos, confiando na memória curta do povo e na força das máquinas partidárias. No Brasil de 2026, pelo visto, o crime de colarinho branco continua tendo o melhor advogado do mundo: a inércia política.
