Por: Allyson Barbosa
Desde que o projeto da Transposição do Rio São Francisco saiu das pranchetas, ele foi vendido pelo PT como a “redenção do Nordeste”. No Rio Grande do Norte, o discurso foi ainda mais forte: palanques foram montados, promessas de “sede zero” foram feitas e a esperança do sertanejo foi usada como moeda eleitoral. Mas, em janeiro de 2026, a pergunta que ecoa do Seridó ao Alto Oeste é uma só: cadê a água que nos prometeram?
A Promessa: O Mar no Sertão
O plano original era ambicioso. As águas do “Velho Chico” deveriam entrar no RN pelo Eixo Norte, beneficiando diretamente o leito do Rio Piranhas-Açu e o Canal do Apodi. A promessa era abastecer cidades em situação crítica, como:
- Caicó, Currais Novos e Jucurutu (via Barragem de Oiticica);
- Pau dos Ferros e região do Alto Oeste (via Ramal do Apodi);
- Mossoró e Assú, garantindo segurança hídrica para a agricultura e consumo humano.
O Governo Fátima Bezerra, alinhado ao Governo Lula, sempre garantiu que o alinhamento político aceleraria as obras. No entanto, o que vemos é um abismo entre o marketing e a realidade.
Promessas x Realidade: O Cenário de Calamidade
Enquanto as redes sociais oficiais exibem vídeos de obras e visitas técnicas, os prefeitos do interior assinam decretos de emergência e calamidade.
- A Realidade: Hoje, mais de 140 municípios do RN enfrentam restrições hídricas. Cidades como Currais Novos e Acari vivem sob o fantasma do rodízio severo.
- O Palanque: A Transposição virou um “check-in” político. Políticos vão às obras, tiram fotos, mas a água não chega na torneira de quem mais precisa. A Barragem de Oiticica, peça-chave para receber essas águas, arrasta-se há anos entre atrasos e problemas sociais com as comunidades locais.
Por que as águas não chegam?
O problema atual não é apenas a falta de chuvas, mas a falência da gestão hídrica.
- Obras Inacabadas: O Ramal do Apodi e as adutoras de integração ainda enfrentam gargalos de engenharia e falta de repasses contínuos.
- Manutenção e Custo: Existe um impasse sobre quem paga a conta da manutenção do sistema. O governo estadual e federal batem cabeça sobre as tarifas de água bruta, e essa burocracia trava o fluxo.
- Prioridades Invertidas: Como este blog já denunciou, há dinheiro para festas milionárias em cidades em emergência, mas falta pressão política real para concluir as adutoras que conectariam o São Francisco aos lares potiguares.
Conclusão
A água do São Francisco no Rio Grande do Norte tornou-se uma lenda urbana. Ela serve para ganhar eleição, para ilustrar propaganda de TV e para alimentar discursos ideológicos, mas não serve para matar a sede.
O povo do RN cansa de ouvir que “a água está chegando”. O sertanejo não bebe promessa, não toma banho com discurso e não planta com esperança vazia. Está na hora de cobrar: o palanque do PT está montado, mas a sede do povo continua.
