ESTRATÉGIA OU PRECIPITAÇÃO? WALTER ALVES “QUEIMOU A LARGADA” AO SELAR ALIANÇAS ANTES DO TERREMOTO POLICIAL NO RN?
Por: Allyson Barbosa
O cenário político do Rio Grande do Norte em 2026 tem se movido com a velocidade de um trem-bala, mas a pergunta que ecoa nos corredores da Assembleia Legislativa e nas redações é uma só: o vice-governador Walter Alves agiu na hora certa ou se precipitou ao definir seu destino político tão cedo?
A Dança das Cadeiras e a Decisão Inesperada
Desde o primeiro dia deste ano, o nome de Walter Alves dominou os bastidores. A grande incógnita era se ele assumiria o Governo do Estado com a saída da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado. Contra todas as apostas tradicionais, Walter declarou que não assumirá o governo.
Sua meta mudou: ele decidiu focar na articulação de uma nominata robusta para garantir seu retorno à Assembleia Legislativa do RN. Para isso, Walter buscou um movimento audacioso: selar uma parceria de apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, para o Governo do Estado, mesmo mantendo sua fidelidade ao projeto de reeleição do presidente Lula.
O “Timing” Colocado à Prova
A estratégia parecia desenhada, mas a última semana de janeiro trouxe fatos novos que abalaram as fundações dessas alianças. O questionamento agora é se Walter “queimou a largada” ao se amarrar a nomes que entraram na mira da polícia.
1. O Terremoto em Mossoró (Operação Mederi)
O principal aliado escolhido por Walter, o prefeito Allyson Bezerra, tornou-se o centro de um escândalo nacional. A Operação Mederi, da Polícia Federal, investiga desvios na saúde municipal com a famosa “Matemática de Mossoró” — um esquema onde, em contratos de R$ 400 mil, apenas uma fração chegava aos remédios, enquanto o restante seria fatiado em supostas propinas. Ter o nome ligado a um alvo da PF logo após declarar apoio é um custo político que Walter talvez não tenha calculado.
2. O Flagrante em Ielmo Marinho (Operação Securitas)
Como se não bastasse o desgaste em Mossoró, outro golpe veio da base partidária. Em Ielmo Marinho, o prefeito Fernando Batista Damasceno — do mesmo grupo político de Walter — foi preso em flagrante. Ele é acusado de liderar uma organização criminosa com características de milícia armada para intimidar opositores. No momento da prisão, o gestor tentou se desfazer de dinheiro e celulares, arremessando-os pela janela.
Consequências nos Bastidores
Walter Alves é um político experiente, herdeiro de uma escola que preza pela cautela. No entanto, ao antecipar suas cartas e se vincular a gestores que agora enfrentam graves acusações de corrupção e milícia, o vice-governador se vê em uma posição defensiva.
A dúvida que fica nas rodas de conversa de Natal é: valeu a pena antecipar o jogo? * Walter terá que gastar capital político explicando alianças com alvos de operações policiais?
- O plano de voltar à Assembleia Legislativa ficou mais difícil com o desgaste desses “palanques” no interior?
A política não perdoa erros de cronologia. Se Walter Alves quis ser o primeiro a se posicionar, ele agora corre o risco de ser o primeiro a ter que refazer todo o seu plano de voo para 2026. No RN, como diz o ditado, quem tem pressa come cru — e o prato servido nesta última semana foi amargo para o vice-governador.
