O cenário político para 2026 ganha novos contornos com a segurança pública no centro do debate. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), subiu o tom em declarações recentes, prometendo uma postura “radical” no combate à criminalidade caso seja eleito. Em vídeo que circula nas redes sociais, o parlamentar disparou críticas diretas ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
“Pra mim, segurança pública vai ser uma coisa que a gente tem que ser radical. Chega de passar a mão na cabeça de bandido, como Lula faz”, afirmou o senador.
O Embate dos Números: Gestão Bolsonaro vs. Gestão Lula
A estratégia de Flávio Bolsonaro é ancorada na comparação direta entre os índices de criminalidade dos dois governos. Segundo o pré-candidato, a gestão de seu pai, Jair Bolsonaro (2019-2022), entregou resultados superiores no controle da violência urbana.
Abaixo, apresentamos um comparativo baseado em dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério da Justiça (MJSP):
| Indicador | Gestão Bolsonaro (Exemplo 2022) | Gestão Lula 3 (Dados 2024/2025) |
| Homicídios | Em 2019, primeiro ano, houve queda de 21% nos assassinatos. 2022 fechou com cerca de 40,8 mil mortes. | Em 2024, o país registrou queda de 6,33% em relação a 2023, com 35,3 mil vítimas. Queda de 11% projetada para 2025. |
| Armamento | Política de flexibilização de armas (CACs subiram de 117 mil para mais de 700 mil). | Revogação de decretos e endurecimento do controle; queda de 79% nos novos registros em 2023. |
| Crimes Patrimoniais | Redução gradual em roubos de carga e veículos durante o mandato. | Redução de 9,78% no roubo de veículos e 11% em roubo de cargas (dados consolidados 2023/24). |
| Percepção Popular | Avaliação positiva de 53% dos brasileiros sobre o desempenho na área em 2026. | Pesquisa de fev/2026 indica que 44,3% da população vê piora na segurança no governo atual. |
A Proposta “Radical”
Flávio Bolsonaro defende medidas como o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e a construção em massa de presídios. Para o senador, o governo Lula é “reticente” e faz “gestos” para o crime organizado, enquanto a sua plataforma será de tolerância zero, especialmente contra menores infratores envolvidos em crimes violentos.
Enquanto o governo federal celebra a queda histórica nos números absolutos de homicídios (os menores em 14 anos), a oposição foca na sensação de insegurança e no fortalecimento das milícias e facções como ponto fraco da atual administração.
O debate promete ser o termômetro das eleições de 2026, com o eleitorado dividido entre o foco no controle de armas do atual governo e a política de “mão dura” defendida pelo clã Bolsonaro.
