Em um evento que deveria ser sobre o futuro de São Paulo, o presidente Lula preferiu olhar pelo retrovisor e com lentes pesadamente ideológicas. Ao lançar a pré-candidatura de Fernando Haddad, o petista não hesitou em “carimbar” o Caso Master na conta de seus maiores desafetos: Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto.
A frase “O Banco Master é o ovo da serpente” não é apenas uma crítica; é uma tentativa clara de nacionalizar um escândalo financeiro e transformá-lo em munição eleitoral antecipada.
A estratégia do “Nós contra Eles”
Ao associar uma investigação da Polícia Federal diretamente ao ex-presidente e ao ex-chefe do Banco Central, Lula ignora o tempo da justiça para acelerar o tempo da política.
- O Alvo: Campos Neto, que já era o “boneco de Judas” do PT pela política de juros, agora é empurrado para o centro de um esquema de fraudes financeiras sem que haja, até o momento, provas concretas de sua participação direta.
- O Método: Como bem notou o comentarista Octavio Guedes, o jogo é o de “empurrar o filho” para o colo do outro. É a política da narrativa sobrepondo-se aos fatos técnicos.
Investigação ou Perseguição?
É dever do Estado investigar qualquer indício de fraude no sistema financeiro, especialmente envolvendo instituições de grande porte. Porém, quando o Chefe do Executivo condena publicamente antes mesmo do fim do inquérito, a linha entre a fiscalização e a perseguição política se torna perigosamente tênue.
Como ponderou o analista Joel Pinheiro, é preciso apurar o empresariado, mas “vender” a culpa de Bolsonaro sem indícios diretos soa mais como conveniência política do que como busca pela verdade.
O Brasil precisa de um sistema financeiro limpo, mas também precisa de um debate político que não transforme cada operação da PF em um show de horrores para o palanque. Afinal, quem realmente ganha quando a justiça é atropelada pela retórica?
