“Alguém aí ganha em dólar?”. Essa frase, repetida à exaustão por Lula durante a campanha, ecoa hoje como um lembrete incômodo para o bolso do brasileiro. A promessa era clara: “abrasileirar” os preços dos combustíveis e acabar com a paridade internacional. Mas, na prática, o que vemos em março de 2026 é um cenário de malabarismos fiscais para tentar esconder uma realidade que não mudou.
A Promessa vs. A Realidade
Em 2022, o discurso era de que o Brasil, por ser autossuficiente, não deveria pagar o preço do petróleo em dólar. No entanto, nesta semana, o governo precisou correr para anunciar um “pacote de socorro” para evitar que o diesel disparasse ainda mais.
O que está acontecendo agora:
- O Diesel na UTI: A Petrobras acaba de anunciar um aumento de R$ 0,38 no diesel para as distribuidoras.
- Subsídios e Isenções: Para tentar “maquiar” esse impacto nas bombas, o governo zerou impostos federais (PIS/Cofins) e criou uma subvenção (subsídio) que custará bilhões aos cofres públicos.
- Gasolina nas Alturas: Em várias capitais, como Natal, o preço da gasolina comum já beira os R$ 7,00 devido à instabilidade internacional e ao fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Onde está a Hipocrisia?
Dizer que ia “abrasileirar” os preços sugeria que o Brasil se isolaria das variações do mercado global. Hoje, o governo faz o oposto: quando o petróleo sobe lá fora, ele usa o seu imposto o dinheiro que deveria ir para saúde e educação para subsidiar o combustível e tentar manter a popularidade.
A verdade nua e crua: O preço continua sendo ditado pelo dólar e pelo barril de petróleo internacional. A única diferença é que agora o governo usa o Tesouro Nacional como “amortecedor” para que você não sinta o choque todo de uma vez, mas a conta chega de qualquer jeito via inflação e déficit público.
O preço da “Mágica” Econômica
Taxar a exportação de petróleo e queimar reservas financeiras para segurar o preço na bomba não é “abrasileirar”. É adiar o inevitável com o seu dinheiro. A política de preços da Petrobras continua refém do mercado externo, provando que o discurso de campanha era, no fim das contas, apenas um roteiro para conquistar votos.
E você? Já sentiu o “abrasileiramento” no seu tanque hoje ou a conta continua vindo em dólar disfarçado de real?
