O tempo passa, o poder sobe à cabeça e o discurso da “nova política” vira pó. Quem não se lembra de quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva batia no peito e jurava que indicar amigos, companheiros partidários ou aliados íntimos para o Supremo Tribunal Federal (STF) era um verdadeiro “retrocesso”? Pois é. A promessa moralista ficou no passado, soterrada pelas conveniências do Palácio do Planalto.
Em declaração que voltou a circular com força nos bastidores, Lula tentou justificar o indefensável ao rebater as críticas sobre a indicação de seu próprio defensor jurídico para a mais alta Corte do país: “Ele não era amigo, ele era meu advogado.”
Uma tentativa patética de jogo de palavras para tentar camuflar o compadrio que tomou conta da República.
Do discurso à prática: O aparelhamento do STF
A narrativa de independência institucional desmoronou à medida que as escolhas de Lula se revelaram puramente políticas e de compadrio pessoal:
- De defensor a ministro: Cristiano Zanin, que atuou diretamente na defesa de Lula durante os processos da Operação Lava Jato, foi premiado com uma cadeira no STF, recebendo a aprovação do Senado com 58 votos.
- A porteira aberta para os aliados: O aparelhamento não parou por aí. Logo depois vieram os nomes de Flávio Dino ex-ministro da Justiça e político de altíssima confiança do governo, além da tentativa de emplacar Jorge Messias (o “Bessias”), atual advogado-geral da União, que acabou sofrendo forte resistência e rejeição no Senado.
O contraste entre o que Lula pregava na oposição e o que faz no poder escancara a verdadeira face de um projeto político que aparelha as instituições para blindar a si mesmo e aos seus aliados. A promessa de impessoalidade republicana foi trocada pela camaradagem de gabinete.
