A crise das queimadas na Amazônia ganhou um novo e tenso capítulo nos bastidores do poder. Durante entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição (Rede Amazônica), o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, revelou publicamente nesta sexta-feira (9) que o Governo Federal negou um pedido oficial de apoio para combater o avanço do fogo no estado.
A declaração gerou bate-boca imediato e versões contraditórias entre Brasília e o governo estadual.
O que dizem os Bombeiros do Amazonas: Segundo o coronel Muniz, a corporação enviou ofícios formais cobrando recursos federais porque muitos dos focos de incêndio ocorrem em áreas de responsabilidade da União.
- O pedido: Datado de 18 de setembro e enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o documento solicitava quatro aeronaves de combate a incêndio, um helicóptero para transporte de tropas e equipamentos, além de verbas para aluguel ou compra de veículos.
- A negativa: Em resposta assinada no dia 1º de outubro, a pasta informou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública não dispunha dos equipamentos solicitados para doação, apenas indicando caminhos burocráticos alternativos para obtenção de recursos.
O contra-ataque de Brasília: A fala do comandante repercutiu mal no governo central e foi duramente contestada. O secretário extraordinário do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, negou qualquer omissão e afirmou que a ajuda federal já está em andamento:
- “Não procede, porque nós recebemos a visita do secretário estadual de Meio Ambiente do Amazonas no Ibama. Nós oferecemos suporte e já combatemos 211 incêndios no Estado do Amazonas que foram extintos”, rebateu Lima à emissora.
Enquanto os órgãos federais e estaduais trocam acusações sobre a logística de combate às chamas, a floresta continua sofrendo com a estiagem extrema e a fumaça sufocante que toma conta da região norte.
