O Brasil assistiu nesta quarta-feira (29) a um dos maiores reveses políticos da história recente. Em uma decisão que quebrou um jejum de 132 anos, o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com um placar de 42 votos contra e 34 a favor, os senadores mandaram um recado claro ao Palácio do Planalto: o Congresso não aceita mais ser um mero carimbador de vontades do Executivo.
Esta é a primeira vez, desde o governo de Floriano Peixoto em 1894, que um nome indicado ao Supremo é barrado pela Casa Alta. Para o governo Lula, que calculava ter pelo menos 45 votos, o resultado é um desastre de articulação que expõe a fragilidade da base governista e a força da oposição conservadora.
O Fim do Ativismo e da “Amizade” no Supremo?
A rejeição de Messias, o eterno “Bessias” das gravações de 2016, simboliza a resistência contra a politização desenfreada da nossa Corte máxima. Mesmo tentando fazer acenos à base evangélica e declarando-se “totalmente contra o aborto” durante a sabatina na CCJ, o discurso não convenceu.
Os senadores entenderam que o Brasil precisa de juízes técnicos e isentos, e não de advogados de confiança do partido no poder. O clima de tensão, que se arrastava por cinco meses, mostrou que nomes como o de Davi Alcolumbre e a própria bancada de direita não estavam dispostos a ceder a mais uma indicação puramente ideológica, após as aprovações de Zanin e Flávio Dino.
O Recado das Urnas e do Parlamento
A derrota é ainda mais amarga para Lula porque Jorge Messias era sua última ficha para o STF antes das eleições de 2026. Ao criticar o inquérito das fake news e defender o fim das decisões monocráticas durante a sabatina, o agora ex-indicado tentou “agradar a grego e troianos”, mas acabou expondo a própria fragilidade de sua candidatura.
O Senado Federal cumpriu hoje seu papel constitucional de freios e contrapesos. A rejeição histórica prova que o ativismo judicial e o aparelhamento das instituições encontram, enfim, uma barreira no campo conservador e nos defensores da verdadeira democracia. O governo Lula agora volta à estaca zero, fragilizado e sem o controle que julgava ter sobre o Legislativo.
